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Voltinha pelo Alto Alentejo

Abril 22, 2018

1ª dia-Aveiro/Portalegre

Há sempre um pretexto para viajar. E quando não há…arranja-se.

Desta vez o pretexto foi o Museu da Tapeçaria de Portalegre. E porque não?

Diretos a Portalegre com paragem na SERTÃ para comprar os sempre saborosos maranhos e buchos num talho da rua principal. Estacionamento fácil em Portalegre, na zona da Sé, e partida à procura de um restaurante.

“Vamos aos BBs? Vamos lá então…” Desta vez optámos pelos bons e baratos. E quem sabe onde se come bem? Taxistas…polícias…gnr…homens do gás… e outros. Segundo um militar da GNR é no “Cacho Dourado”, ali na zona da Sé, frente ao tradicional e retro Café Alentejano. Pois o CD é pouco mais que uma tasca popular, mas, consultada pancarta exterior decidimo-nos por uma sopa de miúdos e um cação frito com migas e um copito, só um copito, de tinto. A sopa de miúdos foi uma novidade, nunca antes provada, mas estava excelente. E o cação delicioso no seu acompanhamento de umas migas de coentros. Com cafés, duas refeições por 13€!! Bom e barato!!

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Cação frito com migas de coentros

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Tapeçaria alusiva à Restauração  da Independência(1-12-1640)

O Museu da Tapeçaria de Portalegre vale uma visita demorada. Quando forem a Portalegre, já sabem…Museu!!

Os exemplares expostos, as técnicas, o ponto de Portalegre, tudo ali é mostrado e explicado. Muito bom. A simpatia do pessoal do museu é de muitas estrelas.

Voltinha pela cidade, que já conhecíamos, e saída para Marvão só para matar saudades. Marvão nunca desilude. A vista panorâmica, o jardim do castelo, as ruas estreitas e íngremes, a variedade de turistas, a passarada nos quintais, enfim, uma soma de virtudes que fazem da vila um lugar único. Pena não se poder pernoitar na ASA. Enfim…

Passámos Castelo de Vide e fomos pernoitar à ASA da barragem de Póvoa e Meadas, que não conhecíamos. Por lá, muitos franceses, belgas e gens de voyage, (hippies, rastas ou o que quiserem)…em desordem, cada um onde quer. Calhou-nos um lugar na ASA propriamente dita e tudo bem…noite tranquila, alguma chuva. Duas notas: a primeira vai para os sanitários com duche. Uma lástima.

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ASA da Barragem de Póvoa e Meadas

Como pode haver gente tão porca? A segunda nota vai para os serviços da ASA: grelhas partidas, confusão de águas…wc, potável. Parece-me haver também algum desleixo da autarquia que, apesar da obra extraordinária que ali fez, podia manter o sítio mais limpo. Mas a limpeza somos todos nós.

 

2º Dia.Portalegre/Tomar

Saímos pelas 10h para a Póvoa à procura de uma padaria. E pronto, lá estava a padaria. Pão fresquinho, pão ao gosto alentejano, mais uns SSS de laranja e canela (bolos secos) e uns esquecidos, tudo para fazer boca em viagem…

No regresso a Castelo de Vide uma paragem para apanhar papoilas, tremoço selvagem bem amarelinho e mais umas flores campestres. Composto o ramalhete, começou a chover copiosamente e assim se manteve por umas horas.

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Estacionamento de Castelo de Vide

Estacionámos junto ao muro alto da cidade, por sugestão de um GNR e saímos para uma volta debaixo de chuva, que não nos desmoralizou. Que nunca passeou à chuva?

Junto ao castelo, no memorial do Cap. Salgueiro Maia, deixámos o “ramalhete rubro de papoilas” como diria o poeta Cesário Verde. Enfim, uma pequena lembrança/homenagem a um dos homens do 25 de Abril. Mais um que só foi herói depois de morto. E mesmo assim…

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Memorial de Salgueiro Maia

Visitámos a Sinagoga e foi outra viagem ao passado: a perseguição de um povo por motivos religiosos (mas não só…) não justificava tanta barbárie, tortura, garrote e fogueira. Afinal a violência provém da ignorância, da cupidez e da ambição desregrada. Em nome de um qualquer deus tudo se faz e tudo se justifica. É o Homem…

Hora de almoço, debaixo de chuva, e toca de perguntar ao distribuidor de gaz onde há um restaurante BB. “É o Djony ou Só p’ra provar…” E lá fomos…

Pratinho de farinheira e torresmos, azeitonas, sopa de agrião, grelhada mista (só suíno) e ensopado de borrego, um copito (SÓ UM e pequeno!) e um refrigerante, uma tijelada para dois e cafés, 23€ e uns trocos. Nada mau. Comida honesta e saborosa, doses à justa e serviço simpático do proprietário que está sempre a dizer “Perfeito!” por entre outras piadolas.

E o dia continuou pelo Crato (visita demorada ao Convento da Flor da Rosa) e por Alter do Chão onde havia uma Feira do Cavalo (não vimos nenhum…). Visita à feira e às barraquinhas -não às tasquinhas, que a patroa não deixa e “se conduzir não beba”. Fizémos umas compritas: mel, doces e passados por Ponte de Sor, parámos em Abrantes, lado sul, no Rossio, mais propriamente no Aquapolis, onde merendámos. Ali é permitida a pernoita e pareceu-me bem o local. No verão, provavelmente não será tão calmo.

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Aquapolis, Rossio ao Sul do Tejo, Abrantes

Continuámos por Constância, onde parámos por uma hora e pudémos  apreciar uns músicos de rua. Aproveitámos para revisitar o Horto de Camões e a sua Casa-Museu. O primeiro contém plantas, árvores e arbusto referenciados por Camões na sua obra e a segunda refaz o percurso da vida de Camões pelos Oriente e outros lugares. Ambas de visita obrigatória. IMG_3570Passámos pela ASA, só para ver como estava, e continuámos para Tomar, onde pernoitámos no antigo parque de campismo. Escolhemos o lugar e pronto…dormimos tranquilos.

 

3º dia: Tomar/Aveiro

Déjeuner e visita à cidade, (ficámo-nos pela baixa), no silêncio do domingo, como é habitual neste dia. As cidades dormem até mais tarde, vai-se à missa das 11h, ao jornal e ao café e tudo é mais pausado e calmo. Assim estava Tomar, tranquila e lenta, quente e abafada, a anunciar trovoada.

Mudança de águas e despejos gratuitos (Obrigado CMTomar!) e partida para Fátima, altar do mundo. Estacionamento no parque do santuário, que estava quase completo.

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ASA de Tomar

Passámos pelas basílicas, nova e velha, Capelinha, e como era hora de almoço, fomos procurar outro BB. Consultado o Tripadvisor, calhou-nos o “Benfica”, mesmo ao lado de onde nos encontrávamos.

Ora, como o coração é vermelho, vamos lá então provar… umas azeitonas, uns (bons) bolos de bacalhau, um bacalhau à Brás, uma dobrada com feijão, um copito (um tinto de Ourém muito bom), uma salada de frutas e os inevitáveis cafés. Os pratos vêm já feitos, mas são abundantes. Tudo: 22€. Restaurante estilo “barraqueiro”, do género entra-pede-come-paga-vai-te embora que há mais gente à espera. O serviço é despachado, o dono anda pelas mesas vestido à Benfica e a decoração é “fanática”. Castiço e kitch.IMG_3577

E pronto. Regresso a casa pela A1, pois há coisas para fazer..

 

650 Km no total , depósito a ¼ e foi bom, muito bom.

 

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