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Etapas finais de viagem à Polónia 2017

Abril 23, 2017

CEtapa 9, 10/08: Sedzizow Malopolski –Domaradz – Auschwitz – 338km
Pernoita: parque de Auschwitz (privado)- Coordenadas: N50 01’39.88’’ E19 11’ 57.64’’

Acordámos e largámos para as igrejas de madeira.
Primeira: Domaradz- uma desilusão porque estava em reconstrução e o interior era uma carpintaria e um estaleiro. Só o exterior estava de pé! Porém, observámos a técnica de construção, o tipo de travejamento, o corte das madeiras, enfim, foi uma visita técnica. Andámos à vontade…porque não estava ninguém!
Segunda: Rasiecnica ou Rosielna – fechada, deu para tirar umas fotos do exterior.
Terceira: Blizne: fechada, deu para tirar umas fotos do exterior. E pronto, não sendo a frustração total, andou por lá perto. (N49 45′ 04” E21 58′ 37” )
Mudando de assunto: a estradas polacas são razoavelmente policiadas, daí o cuidado de circular nos limites, dentro e fora das localidades. E nós cumprimos…
Porém, quando o estômago é que manda, há erros que cometem…Quero dizer que estando já a “barriga a dar horas”, avistámos um restaurante à beira da estrada e sem pensar muito – não havia trânsito em sentido contrário- mudo de faixa e atravesso um duplo traço contínuo, sem reparar no traço e na polícia que estava no parque do dito restaurante!!
Fui mandado para imediatamente, coisa que fiz, aterrado, a pensar na contraordenação, nos euros a voar muito alto, e sei lá que mais. Saí já com os documentos na mão, cabisbaixo e a ouvir o que me pareceu ser um grande sermão. O agente falou, falou e eu não disse nada. No fim disse-lhe em português “olhe, sr agente, desculpe, vi o restaurante e não reparei no duplo traço contínuo.” O agente olhou para os documentos, não pegou neles, continuou a falar e regressou à carrinha. Bem, pensei, agora é que vai ser. Como nunca mais vinha, fui ter com ele… Com um gesto de enxota moscas mandou-me embora!!!!! Incrédulo, balbuciei um “thank you” … e fui almoçar!!
Confesso que foi a melhor refeição na Polónia -não pelo episódio da polícia- mas porque foi a melhor sopa, a melhor carne assada (jarrete de porco) e sobremesa. Estava fantástico! Tudo moderno: mesas, cadeiras, decoração, mais parecia um restaurante de cidade que da beira da estrada. Para que conste foi na direção Domaradz – Jawornik, Km 11 – 8.25€ por pessoa.
Já agora, a polícia pertencia à Policya Transportu Inspectya, que é mais ou menos a Brigada Fiscal, o que explica talvez a maçada de me multar e o facto de se interessarem apenas pelos camiões que por ali rodam em direção à Ucrânia.
Resto de viagem em direção a Auschwitz e ao parque de estacionamento sem qualquer história, a não ser a chuva que não parava e o tempo frio.
Chegados ao parque pediram-nos 40 zl pelo estacionamento + 20zl por abastecimento e despejos. Mas os serviços não podiam ser no momento, só no dia seguinte. O quê? Depois de muito insistir e dizer que tinha a cassette cheia e que não tinha água limpa, o funcionário telefonou a alguém e apareceu um rapazito que nos facilitou tudo!!
Essa noite fomos informar-nos de tudo sobre a visita ao complexo do campo de concentração combinámos no dia seguinte estar às 7h da manhã na fila dos bilhetes. Choveu toda a noite.

Etapa 10, 11/08: Auschwitz – Olomuc (Rep. Checa) – 238km
Pernoita: Olomuc, parque frente à polícia. Coordenadas: N49 35’ 22.23’’ E17 15’ 21.98’’

“O grande circo”

Levantar cedo e ir para a fila da bilheteira. Tenho 30 pessoas na minha frente. São famílias inteiras, pares…e candongueiros. As bilheteiras abrem às 8h. Começa o grande circo que é o Campo de Concentração de Aushwitz. Ainda a bilheteira não abriu e já os taxistas começam a abordar os candongueiros, a solicitar reservas de bilhetes. Um parece-me familiar. Fixo-me melhor e reconheço um dos funcionários do parque onde temos as ACs. À minha frente um candongueiro compra uma centena de bilhetes numa das caixas. Aliás, eles ocupam as três caixas abertas. As notas caem na caixa a grande velocidade. Sou ultrapassado por outro. Protesto com o caixa em inglês e recebo de volta um “and so?… Bonito…já percebi. Todos lucram… Chega a minha vez e pergunto ao caixa se há mercado negro de bilhetes. Sim, respondeu-me, é normal. Ok, são 8h e 30. A fila já vai longa, os autocarros chegam sem parar, carros e mais carros. Os seguranças já berram para estacionar os carros. Vamos buscar as nossas companheiras e o candongueiro do parque já vende bilhete (inflacionado)+parque= X. Quando regressamos, a confusão já está instalada.
A visita a Auschwitz-Birkenau não é para se descrever, é para se sentir de um modo muito pessoal, por isso não a comento. Direi apenas que os prisioneiros sobreviviam, em média, dois meses, se não fossem logo gaseados à chegada.
O roteiro descrito em frases curtas.
Fila para a entrada.
Revista tal e qual um aeroporto: scanner, abrir as mochilas, revista completa, scanner.
Separação por línguas. Visita em inglês às 9.30. Colagem de um stick por cores.
Chove.
Reunião do grupo de inglês, lá fora, à chuva.
O guia avisa que visita tem que ser encurtada e acelerada devido ao elevado número de visitantes. Protestos do grupo. O guia ignora.
Começa a visita em passo acelerado e eu também acelero na escrita.
“Não parar, circular pela direita, fotos sem flash”, berra o guia nos “headphones”. E vai debitando informação: número de prisioneiros, tratamento, tortura e fuzilamento, prisão por tudo e por nada, bloco disto e daquilo, sempre acelerado. Passamos por outros grupos também acelerados: dos russos, dos polacos, dos judeus, dos franceses, dos inevitáveis asiáticos, do camones, dos italianos, dos….Embarque num autocarro para Birkenau. Vai superlotado, a abarrotar, ótimo para carteiristas. Parece que somos nós, os prisioneiros.
Menos visitantes, mais espaço.
Visita a uma barraca de Birkenau, onde os prisioneiros “viviam” – horror.
Conclusão da visita, fim dos serviços, diz o guia.
Embarque num autocarro para Auschwitz, sem grande confusão.

Impressões pessoais:
-Senti-me prisioneiro de um programa de visita. É por ser agosto e haver muitos visitantes? (Este ano estimam-se 2 milhões de visitantes!! disse o guia.) Gosto de ter o meu tempo.
-Vergonhosa a tolerância à candonga.
-Tratamento frio, com maus modos e rotineiro dos visitantes. Os guias são mais amáveis, mas “metem a cassette”, debitam as informações e seguem em frente.
-Confusão e barulho em todo o lado.
-A maioria dos visitantes vai por curiosidade, “para ver como era…”, é como ir ao zoológico ou à feira. Não ganha consciência do lugar e do que ele representa. Falta a pedagogia do lugar: o como e o porquê.
-Há falta de painéis informativos, filmes de época, maquetes, mapas. É tudo reduzido ao mínimo. Falta um centro de informação, bem documentado ou se se preferir um centro de interpretação. O visitante precisa de informação e …tempo.
-A desculpa de manter o lugar “o mais perto possível da realidade e da História”, não desculpa o desinvestimento visível e a manutenção deficiente.
Saímos de Auschwitz com uma energia negativa enorme. O tempo chuvoso não ajudou.
Passamos a fronteira com a Rep. Checa e comprámos a respetiva vinheta para circulação nas autoestradas num episódio algo caricato que meteu polícia e tudo. Chegada a Olomuc, parqueamento e giro a um centro comercial nas proximidades para cambiar uns euros por coroas. Cear e dormir.

Conclusão: Auschwitz-Birkenau é um marco na história do Homem Moderno, um monumento à desumanidade e à barbárie, um exemplo negativo para reflexão. Transformá-lo num circo e numa máquina de fazer dinheiro, NÃO!

Etapa 11, 12/08: Olomuc (Rep. Checa) – Rozna (Morávia, Rep. Checa) 94 km
Coordenadas: N 49 27’26.13’’ E18 08’ 26.36’’

Vamos então visitar a pé, já que estamos perto centro do centro , a cidade de Olomuc. Passando pela cabine de acesso ao parque, pagámos uma diária 20 coroas, penso, e demos o uma mirada no local onde nos encontrávamos. Parece-nos um mercado abandonado, em madeira, com muitas lojas e bancas, mas agora votada ao abandono e com sinais de vandalismo e ocupação noturna. Provavelmente só mesmo a proximidade da polícia evita cenas piores. De qualquer forma, as ACs estiveram bem e nós dormimos em tranquilidade apesar de algum barulho de tráfego, pois fica na proximidade de uma rua estruturante.
Cidade muito limpa, arejada, com centro histórico, com uma praça central em retângulo muitas esplanadas e um pormenor interessante, bastante comum: um relógio astronómico animado que à hora certa toca uma melodia e saem umas figurinhas que giram e dançam. Claro que se junta um mar de gente e que depois dispersa pelas ruas adjacentes.
Tomámos um comboio turístico (2€ pp) e realizámos o circuito que inclui o jardim da cidade, a basílica de Svati Kopecek , onde descemos à cripta, que nos surpreendeu. Retomámos o “treninno” que nos levou por ruas estreitas na zona da universidade e finalmente ao ponto de partida.
Almoçámos num restaurante de rua por 6€, bem comidos e com a caneca do costume. Levamos a memória de uma cidade antiga e moderna, muito arborizada, agradável e hospitaleira, com gente aparentemente feliz e bem-disposta.
Saímos pelas 17h em direção a Roznov pod Radhosten, atravessando a região da Morávia com os seus campos de milho e vinhedos pois é uma região produtora de vinhos. Não muito longe, umas dezenas de quilómetros é fronteira com a Eslováquia.
Procurámos estacionamento para pernoitar e acertámos num parque público, a pagar. Não pagámos pernoita, por estar no período livre, mas metemos a moeda para a primeira hora do dia seguinte, seguindo o exemplo dos moradores.
Os homens saíram para mais uma caneca, as senhoras ficaram em casa.

Etapa 12, 13/08: Roznov pod Radhosten – Kutna Hora (Rep. Checa) – 257k,
Pernoita: Camping Santa Bárbara – 400czk – +/- 15€ . Coordenadas: N49 57’ 16.28’’ E15 15’ 35.76’’

O objetivo de hoje é visitar o parque/museu das tradições e dos costumes da Morávia e região sudeste da Rep. Checa e depois rumar a Kutna Hora, uma simpática cidade com uma catedral magnifica e edifícios associados, a meio caminho de Pilsen (Plezen).
Mudámos os veículos para os estacionamentos do parque, onde nos arranjaram uns lugares aceitáveis, junto dos autocarros. Comprados os bilhetes, 100czk cada, entrámos no recinto muito arborizado do parque. O parque temático tem duas partes: a que simula uma aldeia típica da Morávia com casas de madeira construídas com troncos sobrepostos ,de acordo com a tradição e uma segunda parte com instalações ligadas às atividades próprias da vida no campo: a adega, o ferrador, o carpinteiro, o moinho, a igreja etc. Uma estrada separa as duas partes. Convém conservar o bilhete. Há visitas guiadas.
Devo dizer que acertámos no dia: decorria um festival de artesanato, de folclore, de comidas e bebidas, pelo que estávamos no nosso meio! E assim percorremos os expositores pelas ruas da aldeia, apreçando e vendo os artesãos trabalhar. Era uma tentação para a bolsa e para os olhos pois as novidades eram muitas. Havia muita música e danças da Morávia e o cheirinho a enchidos, a assados, a queijos deixavam-nos de água na boca. E fomos provando petiscos aqui e ali até almoçarmos pela módica quantia de 135czk (5€) por duas pessoas, com sopa e um prato variado de carnes e enchidos, bem servido. Isto, depois de ter provado umas salsichas, uns queijos fumados, pão, e uma caneca de meio litro. As casas típicas são constituídas por uma grande cozinha/sala no rés-do-chão, onde decorria a maior parte do quotidiano e só subiam ao primeiro quando procuravam o fresco para dormir, pois no inverno ficavam-se pela cozinha onde estava mais quente, dormindo no rebordo do fogão, com largura suficiente para uma pessoa. Só visto. Nos anexos da casa ficavam os estábulos, a celeiro e o palhal.
O complexo vale uma visita pela riqueza do conjunto, pelo repositório de alfaias e ferramentas, pelos utensílios domésticos, o mobiliário, os usos e costumes. Ótimo para crianças e adultos.
Largámos pelas 16 horas (7 horas de visita!), repusemos líquidos e esvaziámos numa estação gasolineira, junto aos supermercados.
Os nossos companheiros de viagem aproveitaram o lugar para retificar uma pequena escorrência de uma roda traseira, com grande espanto dos passantes e seguimos em direção a Kutna Hora, passando ao largo de Brno. Na autoestrada avistámos o Memorial de Austerlitz, a célebre batalha ganha por Napoleão Bonaparte ao império austro-russo, acabando com a Terceira Coligação e abrindo à França a porta da Rússia, que, afinal, lha fechou na cara, começando-se assim a desmoronar o grande sonho de Napoleão.
Chegámos ao camping Santa Bárbara já noite, por culpa de um GPS marado que não se entendia connosco, e, a custo, arranjaram-nos um lugar, inclinado, mas teve que ser. O camping tinha o bar ainda aberto. pelo que…ora saiam duas canecas cá p’ra mesa de fora!! E ficámos um bocado a bebericar e a trocar uns olhares malandros com umas checas até que nos deu o sono. Ná! Já tinham muitos quilómetros!

Etapa 13 – 14/08 Kutna Hora – Pilsen (Plzen) (Rep. Checa) –173km
Pernoita: Autocamp Ostende, Plzen Bolevak Lago – Ostende (Pilsen).

Que dizer de Kutna Hora? Primeiro que é uma cidade simpática, muito limpa e inclinada. O camping fica mesmo na parte alta da cidade. Desta forma, descemos à grande praça Palackého e tomamos um café, mirámos as montras e passemos um pouco. Chamou-nos a atenção um jovem a tocar piano debaixo de umas arcadas. Acabou a peça e levantou-se e foi à sua vida. Percebemos então que o piano estava ali para ser tocado por quem quisesse, livremente. E eu acrescento responsavelmente. Fosse isto em Portugal e eu queria ver: primeiro já estaria desafinado, depois já não teria algumas teclas, depois as criancinhas atiravam-se ao piano e martelavam furiosamente sob o olhar complacente, aprovador e babado dos pais que tudo permitem às suas crias, depois viriam os mais velhos abandalhar ainda mais e depois, finalmente, no dia seguinte o piano teria desaparecido. Enfim, somos o que somos.
O empedrado das ruas dificulta a caminhada mas chegamos com entusiasmo à igreja de Santa Bárbara que visitamos demoradamente. Depois foi a caminhada até à catedral, Catedral de Nossa Senhora em Sedlèc, magnifica no seu neogótico flamejante, passando pelo colégio jesuíta. O conjunto é Património da UNESCO pelo que vale a pena visitar pela sua grandiosidade. Santa Bárbara é, como se sabe, a padroeira dos mineiros. Ora, como houve em Kutna Hora uma importante mina de prata, é essa a razão pela qual a cidade acumulou grandes riquezas e catedral tem o seu nome. Há na cidade um importante Museu da Prata nas imediações da catedral. O vinho da região é ótimo, sobretudo o branco, e vende-se ao copo, junto à catedral. Há cordões de videiras mesmo ao lado formando uma vinha muito bem tratada. Claro que o branco se chama “Santa Bárbara”. E, em agosto, 25 e 26 há ali um importante festival de vinho da Boémia. Deixámos o camping depois de almoçar e pagar 400 coroas e apontámos o GPS para o novo destino o Autocamp Ostende, Plzen Bolevak, lago de Ostende onde chegámos depois de passar ao largo de Praga, cidade que já visitámos duas vezes. Na última estivemos uma semana em Praga com uma saltada a Budapeste, no comboio noturno, com couchette e tudo. A tarde estava quente, a viagem foi boa e conseguimos um bom lugar no camping. Grande camping, com um lago adjacente, muitas sombras, muitas ACs, muitas caravanas, bungalows, muita gente. Instalámo-nos, demos uma volta ao camping, molhámos os pés no lago -não nadámos porque achámos a água fria-, bebemos uma caneca no enorme bar/restaurante, tomámos um grande duche nos balneários e fizemos a janta. Despejos e recargas, converseta e mais uma cerveja no bar e cama.

Etapa 14 – 15/08 Pilsen (Plzen) (Rep. Checa) – Arredores de Nuremberga – +/- 203km
Pernoita: N 49.42311 E 11.10640

Ora levantar e conhecer Pilsen!
Na receção do camping dispensaram-nos bilhetes para o autocarro, deram-nos um mapa da cidade da cidade e lá fomos  à vida. O bus é mesmo à saída do camping e nós, e muito outros “campistas”, embarcámos em mais uma viagem de descoberta. O plano era conhecer o o histórico e fazer horas para a visita à fábrica de cerveja de Pilsen que fabrica várias marcas: Urquell, Radegast, Gambrinus, …. Conforme o gosto dos clientes.
Fizémos um transbordo de bus para tram e passado 20min estávamos no centro, uma grande praça, catedral ao meio e à volta estabelecimentos comerciais, restaurantes, esplanadas serviços do estado, etc. Pareceu-nos que tinha havido festa na véspera, pois estavam a desmontar tendas e barracas de cerveja, talvez um concerto.
Estava um sol maravilhoso, algum calor e foi tempo de admirar arquiteturas, tirar fotos, trocar dinheiro, comprar souvenirs e ver as modas. Enfim fizemos tempo para visitar a famosa fábrica de cerveja. A pé, pois não é muito longe do centro, junto ao rio e no meio do arvoredo fica a fábrica. Passada a receção, há que esperar pela visita em inglês e retirar um bilhete que permite o acesso. As visitas têm número limite de pessoas, pelo que convém estar de olho, pois há muitos “furas” que chegam atrasados e se põem na frente da fila. A visita dura cerca de 2h, percorre os vários setores da fábrica, a pé e de autocarro, sempre com guia e contagens frequentes de visitantes. Das misturas dos grãos, aos lúpulos, aos de fermentação, temperaturas, e processos de filtragem e…eu sei lá que mais, tudo se aprende naquela fábrica. Depois é feita uma visita à parte antiga da fábrica, aos túneis ou caves do género dos do champanhe e finalmente se chega à parte da degustação. É oferecido um grande copo de cerveja a cada visitante (há sempre quem repita) tiradas a 7/9 graus das grandes barricas abertas e onde se vê a espuma da fermentação. Garanto-vos, cerveja assim não tem comparação com a que consumimos engarrafada!!
Almoçámos no restaurante da fábrica, muito bem servido e acessível, com pessoal atento e rápido. O restaurante chama-se “Na spilce”. Preço médio por pessoa ronda as 200 coroas o que dá sensivelmente 7€. Não se pode pedir mais…
Regressámos ao Autocamp de táxi, por cansaço, e pagámos os quatro 175Kr, o que foi uma pechincha…
Feitas as contas do camping, passámos ainda por um supermercado TESCO para umas últimas compras. Abastecemos de gasóleo para gastas as últimas coroas e depois foi estrada até Nuremberga, com um tráfego horroroso de camiões de todo o leste da Europa, alguns abrandamentos, paragens mesmo, pois Alemanha faz obras nas autoestradas durante o verão!!.
O parque de estacionamento de ACs parece ficar numa zona isolada porém não é bem e o acesso ao centro de Nuremberga é por transporte público é possível. Há uma bomba de combustível perto e talvez ali se possam recolher informações. Amanhã começa o regresso, com muitos quilómetros por dia: abastecer, repousar, dormir, conduzir…até chegar.

Etapa 15 – 16/08 – Arredores de Nuremberga – Marsannay-la-Côte +/- 653km
Pernoita:, Marsannay-la-Côte, AS gratuita, N47 16’ 16’’ E4 59’33’’

Percurso na Alemanha pela A6 e A5, paragem em Ettenheim para almoço no parque Aldi. Volta pela localidade para desentorpecer. Pastelaria local com apfelstrudle muiiiiiiito bom. Café a 2€! Combustível a 1.03€.
Depois França pela A36, A39, e, finalmente nos arredores de Dijon a Área de Serviço.
Dormida tranquila, pois AS fica nas traseiras do pavilhão desportivo e limitada por um muro particular. Penso que com veículos de maior gabarito, o estacionamento é complicado.

Etapa 16 – 17/08 – Marsannay-la-Côte – Gradignan, rotunda do Cours du Général Charles de Gaulle/ rue de Canteloup/ +ou- 669km – N44 45´ 53.41´´ O0 37’ 06.47’’
Pernoita: livre

Saída de Marsannay e autoestrada sempre até ao camping Beau Soleil em Gradignan, o mesmo onde permoitámos quen do iniciámos esta viagem. Infelizmente desta vez não tínhamos lugar. A senhora lamentou não termos telefonado a reservar lugar. Daí que a solução foi procurar um lugar BTS (Bonito, Tranquilo e Seguro). Encontrámo-lo um quilómetro mais acima no lugar de Cayac (ver acima) em frente ao Priorado de Cayac, que é, simultaneamente, albergue de peregrinos de Santiago. Trata-se dum parque sossegado, arborizado e pouco barulhento. Acesso pela rotunda. Noite tranquila.

Etapa 17 – 18/08 -Gradignan – Burgos km – 495 km
Pernoita: Burgos, parque do Centro de Saúde. – N42 20’ 67’’ – O3 41’ 55’’

Autoestrada sem história, exceto um grande engarrafamento em Bordéus e outro em Irun com 11km de extensão, quase todos de emigrantes portugueses. Passámos por Bayonne e resolvemos parar e ver a cidade por onde sempre passámos mas nunca parámos.
Arranjado um lugar a pagar, estacionámos e visitamos o centro da cidade, as zonas pedonais as ruas comerciais, a catedral, o mercado transformado em mega-restaurante. Enfim, uma paragem breve, duas horas mas deu para ter uma impressão muito positiva da cidade por onde se passa mas quase nunca se para.
Decidimos também visitar Hendaia e conhecer a fronteira que na década de 60 tanto medo metia ao portuguese que arriscavam o salto para França. Que grande confusão onde nos fomos meter! Se na AE havia engarrafamento imagine-se em Hendaia, atravessar a cidade foi uma aventura…já não sabíamos se estávamos em Espanha se em França. Má ideia! Perdemo-nos num dos nós da autoestrada e tivemos que ir quase até Bilbao. Corrigimos rota e saímos perto de Vitória, andando para trás. Chegada a Burgos de noite, cerca da 20.30.
Passeio noturno pela cidade. Estava uma noite, própria para conversa, uns copos, enfim, relaxe. Meto-me à conversa com um AC italiano, de cerca de 80 anos, que sozinho na sua Hymer dos anos 80, vinha também para Portugal, com um mapa desatualizado e sem qualquer referência de ASAs. Ofereci-lhe um mapa atual e o dossiê das áreas do CampingCarPortugal. Era um professor reformado, recentemente viúvo, que perdeu a companheira de viagem mas não a vontade de viajar e, em sua homenagem continuava por essa Europa fora. “Ela não haveria de gostar que eu parasse. E parar porquê? Sinto-me bem e tenho ainda tanto para ver”, disse. Comovente. Desejo-lhe que ande por aí por muitos e bons anos.
Dormida tranquila.

Etapa 18 – 19/08 – Burgos – Aveiro – 547km

Saímos cedo. Não gostamos de atrapalhar quem recorra ao centro de saúde e tenha necessidade de estacionar.
Autoestrada até Simancas, onde decidimos parar para visitar o Arquivo Nacional de Espanha, logo ali ao lado da AE. Foi por ordem de Filipe II que o Arquivo foi construído, descentralizando da hegemonia de Madrid. Curiosamente tinha em exibição uma exposição sobre fortalezas portuguesas, mapas e plantas, das colónias ultramarinas durante o domínio filipino. Filipe II era um rei metódico, muito moderno em 1580. Exigia faturas de tudo, contas detalhadas, relatórios pormenorizados e guardava tudo, arquivava tudo. Daí ter criado este arquivo em Simancas quando a corte esteve temporariamente em Valhadolide. Muito interessante esta visita que recomendo vivamente. Demos uma volta pela povoação, ficámos a conhecer o episódio das mulheres de Simancas que deu origem ao topónimo -Si (assi) mancas las quieres, (assi) mancas las tienes), comprámos pão fresquinho numa das padarias e continuámos viagem. Nova paragem em Salamanca para desentorpecer e outra em Fuentes de Oñoro. Chegada a Aveiro pelas 17.30. Cansados, mas felizes. Correu tudo bem, sem grandes percalços. E chegámos um dia antes do previsto!! Não faz mal, é mais um dia que gozamos de praia e da companhia da família e amigos.
Notas:

Km percorridos 7542 -na realidade acho que foram 7714km; não sei onde perdi a diferença!!

Coordenadas GPS dos estacionamento, parques pernoitas, etc, utilizei as do www.campingcar-infos.com

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One Comment leave one →
  1. Maria Melo permalink
    Maio 21, 2017 10:23

    Gostei muito da sua descrição da viagem. Obrigada.

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