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Portugueses no mundo

Março 7, 2013

23 de Agosto – 16 ª etapa: Bratislava – Eslováquia; Campingplatz Linz am- Pichlingersee, Ebelsberg, 4030 Linz, Áustria (+/- 452Km)
Seis horas da manhã. Ainda que a rua onde pernoitamos não tenha grandes ruídos, na verdade é sossegada, dormimos mal. Este fato e por ser já dia claro, leva-nos a tomar a decisão de nos levantarmos e partir de novo para a Hungria, visitar a cidade de Sopron, como tínhamos programado no roteiro inicial. Atravessamos rapidamente Bratislava com a ajuda do TomTom e paramos no posto aduaneiro de Rajka para comprar, outra vez, a vinheta húngara. Aproveitamos o parque de estacionamento para tomar o pequeno-almoço.
Rodamos entre campos de milho e forragens. Mais à frente, nova paragem numa grande área de serviço húngara, com a fronteira austríaca à vista, onde compramos mais uma vinheta, a austríaca.
A abordagem a esta área de serviço foi cuidadosa e morosa: escolhemos com critério o local de paragem e revezámo-nos na permanência no interior da AV. Com efeito, e lamento o sentimento xenófobo que possa suscitar, que não é verdadeiro nem sentido, a área estava pejada de autocarros com “romas” búlgaros e romenos. Havia portanto que estar atento e evitar um episódio menos agradável.
Olhando à volta, contámos cerca de 20 autocarros (+/- 1000 pessoas), uns velhos e outros muito novos, mas sobretudo mulheres, muitas mulheres com as suas saias compridas e coloridas, lenço na cabeça e o inevitável saco de plástico. Onde iriam estas centenas de pessoas? Para a Europa “rica”, sobretudo Itália, França, Inglaterra, Espanha e Portugal, na senda da mendicidade. Trabalho não, que não estão habituados.
Dentro da loja da área de serviço, a confusão é incontrolável: atropelos, empurrões e até gritos. Os funcionários não sabem se hão de vigiar os produtos expostos ou atender os clientes. Pelo que me apercebi era a primeira paragem depois de muitas horas de viagem noturna. Tanta gente ao mesmo tempo cria dificuldades a toda a gente.
De novo nas estradas, agora nacionais, bordejamos o lago Neusiedlersee, na chamada Burgenland, terra de grandes vinhedos bem tratados, bem alinhados e com uvas em fase avançada de maturação. Ao longo da estrada vão-nos chamando a atenção grandes cartazes anunciando adegas e lojas de vinho.
Aproximamo-nos da fronteira húngara, deixando para trás a última localidade austríaca, Klingenbach. Poucos quilómetros depois, a cidade de Sopron.
Li algures que a cidade de Sopron escolheu ser húngara por referendo popular, em 1921. Desconheço a razão da escolha do povo, no rescaldo da I Grande Guerra, mas as caraterísticas da cidade são indubitavelmente austríacas. A cidade perdeu assim o nome de Ödenburg e chamou-se Sopron (de Suprun antigo nome húngaro).
Não foi fácil encontrar um lugar de estacionamento. O centro da cidade encontrava-se pejado de automóveis e só numa rua lateral, já afastada, encontrámos o lugar certo para a “Juliette”. Nessa mesma rua reparámos que o movimento numa loja era frenético, com gente a entrar e sair com caixas de papelão, acompanhados por crianças e adolescentes. Foi fácil saber porquê: eram pais mães que recolhiam numa livraria as caixas com os livros escolares desse ano. As aulas na Hungria começam a 1 de Setembro.
A cidade é muito interessante, sobretudo no centro, perto da Torre de Vigia de Incêncios, a ”Firewatch Tower”, uma construção do séc. XII, profundamente remodelada ao longo dos séculos. Outro motivo de interesse são as ruínas romanas do fórum antigo, bem preservadas. As ruas são largas e quase desertas, muito limpas, com poucas lojas. Porém devemos estar atentos aos arcos e portões de cada edifício. É nos pátios interiores que estão as lojas, os cafés, as esplanadas, os restaurantes, os mercados… Entrámos num desses pátios/corredor, pois dava para outra rua e, no seu interior havia um café/pastelaria, uma frutaria//mercearia, várias lojas de moda, um fotógrafo e… a língua mais falada apareceu-nos o alemão. A cidade é também conhecida como a capital dos dentistas, tal a profusão de clínicas dentárias, muito frequentadas por estrangeiros dada a qualidade dos serviços e os baixos preços.
Depois de percorrido todo o centro e ter provado o espírito da cidade, entrámos num grande hipermercado, fizemos algumas compras, almoçámos e aí vamos de novo na estrada. Destino: St Polten, uma cidade a caminho de Linz. Rolamos pela mesma auto-estrada de há dois anos atrás. O tempo contado assim nos obriga.
Depois dos habituais problemas de estacionamento, ficámos numa zona residencial, de grandes vivendas do princípio do séc. XX, marcadamente Arte Nova, com grandes jardins. Passeámos pelas ruas e praças do centro, até à estação central, e saboreámos um delicioso gelado num banco de rua. Numa vinaria comprámos alguns vinhos austríacos, de preço médio, como convém. De volta à AV, repusemos combustível e retomámos a auto-estrada até ao camping em Pichling(er See), também chamado Camping Linz, na Wienstrasse, a cerca de 11km de Linz.
Na receção do camping fomos amavelmente acolhidos e perguntei, em inglês, por uma vaga, apresentando o Cartão de Cidadão português. O rececionista pegou no BI, mirou, remirou e disse num claro português: “Quando for lá abaixo, tenho que arranjar um destes…”. Surpresa! Fomos recebidos pelo Sr. Santos, português ribatejano, que supervisiona o camping. Um pouco de conversa e aparcámos na célula que nos foi atribuída. O s sanitários eram muito limpos e depois de um banho reparador e uma ceia frugal, passeámos pelo camping mas não tivemos forças para visitar o lago adjacente. Por fim, deitámo-nos ao som de uma chuvinha fraca. Cansados….
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Despesas:
Combustível: 60€ (1,47€ litro)
Vinheta húngara: 11€, uma semana
Vinheta austríaca 12€, uma semana
Estacionamento: 2€

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Ruinas romanas de Sopron

Ruinas romanas de Sopron

Praça de Maria

Praça de Maria

Mobiliário urbano transformável

Mobiliário urbano transformável

Teatro de Sopron

Teatro de Sopron

A rua onde estacionámos e as vivendas arte nova

A rua onde estacionámos e as vivendas arte nova

camping Linz

camping Linz

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