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Ao sr. Presidente da Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, Sr. Deputado António Topa

Julho 12, 2021

Sr. Deputado António Topa:

Sou um cidadão comum, com o CC ————, residente em Aveiro e por desgraça autocaravanista há largos anos. E digo desgraça porque há um artigo do Código da Estrada, o 50-A, que me impede de dormir na minha autocaravana entre as 21 e as 7 h da manhã, baseado no pressuposto de que ao fazê-lo estou a atentar contra a saúde pública, a ocupar excessivamente espaços públicos, arribas, falésias, parques naturais, parques de estacionamento e outros absurdos. Sou, portanto, um perigo público, um indesejável no meu país, uma persona non grata. E isto porque tenho uma Autocaravana. Ora, a minha Autocaravana tem todas as comodidades da minha casa fixa. A autocaravana é a minha casa sobre rodas. Tal como na minha casa fixa eu não deito lixo pela janela, nem o coloco fora dos locais devidos e muito menos faço despejos na via pública ou num recanto do mato. Sinceramente, não sei por que razão a Secretaria de Estado do Turismo, a AHRESP. a FCMP e demais associações me consideram “um perigo para a saúde pública”. E se adicionar outros mimos com que me acarinham, como: espécie invasora dos parques naturais (sobretudo do sudoeste alentejano, onde nunca fui de AC), um poluidor visual (?!), um forreta que não contribui para as economias locais, um cidadão potencialmente perigoso porque fujo ao radar de controlo dos cidadãos, pois não frequento parques de campismo e, portanto, não me registo, como me classificarão? Criminoso ambiental? Um fugitivo? Antissocial? Terrorista?

Olhando para os convidados a emitir parecer sobre 50-A, o que fazem ou o que representam associações como a “Arribas” e a “Costa Vicentina”, além de se representar a si próprios e da região que exploram turisticamente. E onde estão associações similares do norte e do centro do país ou do Alentejo interior, os que acarinham o autocaravanismo como fator de ligação e coesão territorial? Porquê tanto relevo ao litoral sudoeste alentejano e ao ALLgarve? E o resto do país, o que agradece a visita das ACs, nao conta?

E não há em Portugal liberdade de circulação e paragem? (Ressalvo os casos já previstos na lei.) Parece que não….

Porque pensam muito no meu bem-estar e no da comunidade em geral, estas entidades (AHRESP, associações campistas, FCMP & C.ia Lda) têm uma solução milagrosa para o problema (que me criaram): a troco de umas dezenas de euros por dia e indo para os “locais expressamente autorizados para o efeito”, estou legal! E quais são eles? Os que estes organismos tutelam ou a eles estão associados, ou seja, parques de campismo e afins.

E eu, cidadão comum, que julgava que as leis eram equitativas, universais e não feitas à medida de grupos económicos. Sou ingénuo. Não percebi que este articulado do Código da Estrada garante despudoradamente a clientela aos associados da HARESP e da FCMP, que, pelo visto, “capturaram” a SET, que obedece à sua vontade e alinha no mesmo argumentário, induzindo o Estado no sentido de obrigar os autocaravanistas a frequentar os seus parques, onde são atirados “para o fundo do quintal”. Muitos nem cumprem o determinado de 50m2 por autocaravana…. Com este guarda-chuva protetor, não admira, pois, que estes “parques” comecem a surgir como cogumelos no outono e propondo novas “facilidades” para os autocaravanistas. Pudera, é negócio garantido, clientela assegurada, investimento sem risco.

Senhor Deputado: o século XXI é o século da mobilidade turística, da itinerância livre e responsável. Como ficou demonstrado pela SIC, Portugal é o único país da Europa que tem tais medidas restritivas. Triste nota negativa! Eu que acompanho grupos de discussão internacionais sobre o tema, vejo com tristeza que os autocaravanistas estrangeiros estão a riscar Portugal dos seus planos de viagem e os portugueses a procurar outros destinos.  Os autocaravanistas estrangeiros são “embaixadores” de Portugal junto dos seus amigos, familiares ou outros autocaravanistas. Outros países aproveitarão o que Portugal rejeitou.

Senhor Deputado: eu quero de volta a liberdade de poder dormir num bem que é meu, onde tenho todas as condições para o fazer, respeitando o meio ambiente e as comunidades locais onde gasto os meus euros. E eu quero de volta a minha liberdade de optar em pernoitar gratuitamente ou por um preço justo e razoável em espaços públicos, onde as autarquias o determinarem, sem perseguições nem discriminações. Ou , ainda, a de frequentar uma estrutura privada ou pública de acantonamento de autocaravanas, a pagamento. Se eu quisesse ir para um parque de campismo comprava uma CARAVANA (essa sim, obrigada a ir para os parques, como o dono sabia quando a comprou) e não uma AUTOCARAVANA.

Não se deixe capturar, Senhor Deputado.

Com os meus melhores cumprimentos,

O vídeo da CM Aljezur sobre o autocaravanismo

Junho 30, 2021

O vídeo vale o que vale…

Se eu quiser fazer um vídeo sobre o lixo urbano ou lixo industrial ou mesmo derrames nas ribeiras, lixo escondido no barrocal, resíduos de obras, eletrodomésticos enferrujados, pneus, etc. com certeza não me faltaria material no município de Aljezur. Mas é o que temos: os porcos têm que ser os autocaravanistas. Não que não tenham a sua quota parte, mas não tem que ser um rótulo absoluto. Vejamos: o vídeo tem 2,48min e nele eu contei, frame a frame e com alguma margem de erro, note-se, 35 autocaravanas sendo que metade estava corretamente estacionada na parte superior de Odeceixe. Contei 52 “vans” e não contei os que me pareceram “veículo dormitório”. Há ainda no vídeo 21 veículos ligeiros (para muitos esses não fazem lixo…:-)))) e 16 tendas, 1 caravana e 5 tendas de tejadilho, a moda do verão passado. Dado que as vans, “veículos dormitório” e ligeiros não têm instalações sanitárias capazes, nem depósitos de dezenas de litros, eu pergunto quem é que vai à mata…

O cartaz é, em si, discriminatório e falseia a verdade. A imagem de uma autocaravana “cola” um determinado tipo de veículo e ignora os outros que, como se vê e sabe, têm uma grande quota parte no campismo dito selvagem. Depois, os campings. Uma pernoita no Serrão custa 24,5€. Um parque de autocaravanas custa 10€, independentemente do número de pessoas e alguns oferecem eletricidade. Para que quero os duches dos parques de campismo e o WC? Para nada…prefiro o wc da minha autocaravana, onde tenho mais higiene e privacidade. É isto que os parques não compreendem: metade dos serviços são desnecessários ao autocaravanista, logo, porquê pagar por eles? Aos autocaravanistas basta uma parcela (a lei diz de 5x10m) e uma estação de serviço…Estarão os parques de campismo dispostos a adaptar-se ou preferem o guarda-chuva da legislação que empurra os autocaravanistas, obrigatoriamente, para os ditos parques?

Claro que eu sei a resposta.

Pelo autocaravanismo livre e responsável.

Maio 24, 2021

Sr. Deputado:        

Sou José M.R. Caseiro, BI ————-, 63 anos, residente em Aveiro, e trago à sua consideração o seguinte reportando-me às recentes alterações ao Código da Estrada, art.º 50-A.

-a campanha que nos meios de comunicação social tem vindo a indispor a população, os responsáveis governamentais e os legisladores contra a prática do autocaravanismo itinerante em Portugal, culminou na aprovação de uma legislação fortemente restritiva ao uso da autocaravana como veículo de recreio, de mobilidade, ou, até, de local de trabalho e residência permanente;

– o postulado dessa legislação baseia-se em questões de circulação, ou ambientais, comportamentais, de civilidade e cujo remedeio parece evidente para a maioria dos autocaravanistas: o incremento de fiscalização e aplicação das leis em vigor, punindo os prevaricadores e não a totalidade dos autocaravanistas; com efeito, não se proíbe a circulação de veículos nas autoestradas (ou outras) quando meia dúzia de condutores ultrapassam reiteradamente os limites de velocidade, atiram lixo pelas janelas ou vandalizam a sinalização;

– a dureza dessa legislação ao proibir a pernoita no interior do veículo das 21h às 7h do dia seguinte, “fora dos locais indicados para o efeito”, aos  seus ocupantes, além de retirar identidade ao veículo (que possui cama(s) para o efeito), compulsa os utilizadores ao acantonamento numa ASA que o permita (Área de Serviço de Autocaravanas) ou a um parque de autocaravanas ou, ainda, a um parque de campismo; comparando situações, é como impedir a pernoita nas segundas casas, em qualquer lugar, se ao lado estiver construído um  qualquer serviço hoteleiro.

– a dureza dessa legislação fere com gravidade os direitos de circulação e permanência dentro do veículo no período interdito, mas permite-o a veículos ligeiros, comerciais e camiões, criando uma diferenciação, quando não discriminação, que a comunidade autocaravanista tem dificuldade em compreender e aceitar;

– as autocaravanas são veículos da classe M tanto no espaço europeu como em Portugal e pagam impostos como qualquer veículo da sua classe,

–  a incoerência desta legislação impede a fruição de bens culturais e valências económicas (restauração e outras), pois haverá que recolher ao ponto de acantonamento, por vezes a quilómetros de distância, antes do período de interdição, eliminando-se assim do roteiro de viagem as localidade que não têm facilidades de acolhimento, com os inerentes prejuízos para todos;

– a incoerência de desta legislação acentuas as assimetrias regionais, privilegiando os autocaravanistas as que melhores condições apresentarem.

-o alcance desta legislação afeta gravemente o setor automóvel especializado neste tipo de veículos , quer nas vendas quer na reparação/manutenção, reduzindo drasticamente a faturação e os postos de trabalho;

– a incoerências desta legislação vai afugentar definitivamente os autocaravanistas estrangeiros que na época baixa animavam o comércio local e esbatiam as consequências da sazonalidade nas zonas turísticas; idem para os nossos vizinhos espanhóis, os italianos, os croatas   ou até marroquinos, que não deixarão de aproveitar a oportunidade, arrecadando o que Portugal rejeitou;

– a imprensa internacional da especialidade tem feito eco desta legislação restritiva desaconselhando as visitas ao nosso país por não ter suficientes estruturas de acolhimento; refira-se que apenas existem em Portugal 243 ASAs e 13 zonas de estacionamento reservadas para autocaravanas, uma insignificância comparadas com as 864 de Espanha e as cerca da 5600 de França; (ver sites www.campingcarportugal.com; www.acpasion.net; www.lemondeducampingcar.fr);

– o caráter restritivo dessa legislação, ao acantonar estes veículos em instalações privadas por força da falta de ASAs públicas, favorece despudoradamente os parques de campismo e parques de autocaravanas, fornecendo-lhes gratuitamente uma clientela que, em situação normal os não frequentaria, por desnecessário;

-embora não rejeitando qualquer oferta de alojamento, somos pela livre escolha, pela itinerância e pela permanência livre até 72 horas em qualquer estacionamento, como qualquer veiculo, sem discriminações;

– deste “guarda-chuva” legislativo muito se ufana a AHRESPE (Associação de Hoteleiros, Restaurantes e Similares de Portugal) no seu boletim do mês de novembro, onde escreve que foi por sua solicitação e insistência que esta legislação foi elaborada;

– manifesto a minha incredulidade ao constatar que a legislação é feita a pedido e contento de uma associação, ao arrepio de qualquer isenção, equidade e independência, como é norma em qualquer democracia;

-congratulo-me pelo facto de o distrito de Aveiro ser tolerante às práticas do autocaravanismo tendo alguns municípios pelo menos uma ASA, casos de Águeda, Arouca, Aveiro, Castelo de Paiva, Estarreja, Ílhavo, Oliveira de Azeméis e Vagos, esperando que os restantes lhe sigam o exemplo e se tornem também municípios de acolhimento;

– que a Assembleia da República ou qualquer órgão do Governo fiscalize os desmandos legislativos das autarquias, que ao publicar editais discriminatórios e sinalética abusiva (alguma muito imaginativa e delirante) restringem e diminuem os direitos dos cidadãos à fruição do espaço nacional.

– que seja tida em conta pelo Sr. Deputado esta comunicação de um cidadão autocaravanista e que o leve a tomar uma posição esclarecida e informada, a 28 de maio de 2021 na Assembleia da República, sobre a injusta e discriminatória legislação que pesa sobre autocaravanismo;

-finalmente, que sou um cidadão que pretende usufruir de um bem móvel e não um delinquente ambiental ou outro, como por vezes me querem rotular.

Obrigado.

Com os meus melhores cumprimentos

José Caseiro

Primeira saída pós-confinamento

Maio 2, 2021
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Primeira saída pós-confinamento. Vamos lá!

Levantar às 6.30. Ablações matinais. Ida à padaria por mor do pão fresco. Às 8.30, chegada à garagem para acordar a Juliette depois de um sono de 5 meses!! Sim, nós respeitámos o confinamento e mantivemo-nos respeitadores das normas governamentais. Provavelmente, assim, escapámos ao ”bicho”.

A ideia é ir até Esposende passando por Vila do Conde, só para ver o ambiente, porque, pelos vistos já não é terra que se recomende em termos autocaravanistas.

A Juliette cantava e bailava alegremente, pistão com pistão, feliz por estar na estrada. Porém, foi com tristeza que chegámos a Vila do Conde, onde quase não vimos uma AC. O que vimos foram sinais a proibir o estacionamento, em todos o lado, mesmo nos sítios mais absurdos. Pura discriminação, pois, nesses mesmos locais, vimos furgões e descaracterizados e outros veículos de gabarito igual a uma AC. Nem sequer nos apeámos. Para quê?  Esta era uma localidade onde íamos meia dúzia de vezes por ano, mas sempre com imenso prazer, pois já a conhecíamos razoavelmente e sabíamos onde encontrar as coisas que precisávamos. Acabou-se! Apenas em Caxinas notámos uma quantas AC desafiadoramente parqueadas ao lado da marginal.  Na zona do clube náutico, umas quantas caravanas isoladas teimavam em ficar. À volta acumulavam-se aterros e entulhos como a querer expulsá-las dali.

Na Póvoa, depois de umas voltas, estacionar revelou-se impossível, tal o número de pessoas e carros que se encontravam nas ruas, pelo que adiámos o café da manhã para Esposende.

Sábado, 1º de maio, Dia do Trabalhador, mas também dia de mercado em Esposende. E, no mercado, havia que repor as faltas cá de casa. Daí que no dito mercado/feira e privilegiando os produtores locais, no exterior, comprámos cebola, cenouras, abóbora, brócolos, favas, feijão verde, kivis, morangos, laranjas e nêsperas. Ainda, no exterior, adquirimos enchidos regionais e temperos vários. Carregadinhos e mais aliviados na carteira, regressámos à AC, tomámos o tal café e fomos namoriscar ao longo do passadiço do Cávado, pois também viemos para isso. Chegada a hora do almoço, escolhemos o restaurante “Foz do Cávado” e por 26€ comemos honestamente, sem deslumbrar nem desiludir. Acompanhou um verde tinto de Barcelos.

De volta à AC fomos ver como estava a ASA de Esposende, por detrás do Aldi e da Rodoviária. Estava cheia com umas dezenas de AC, mas ainda havia lugares. Apenas um reparo: porque é que há companheiros que teimam em atravessar as ACs, ocupando 3 ou 4 lugares de estacionamento? Não entendo…

Feita a visita, dirigimo-nos a Barcelos e estacionámos sobranceiros ao rio, abaixo do palácio dos condes. As ruas estavam animadas, as pessoas passeavam descontraídas enchendo as esplanadas e as lojas. Era dia da Festas das Cruzes pelo que cumprimos a Via-Sacra, vendo as cruzes enfeitadas e comprando o bolo que celebra o dia, o Bolo das Cruzes. Mais uma vez calcorreámos a zona histórica e regressámos á AC. E agora? Bom, vamos pela N306 até Vilar e depois pela N13 até Moreira da Maia e dái para Perafita, à zona comercial, fazer umas últimas compras. É fim de semana…

Chegados à cidade-casa ainda visitámos a nova ASA de Aveiro, junto à estação da CP e da Rodoviária. Estava quase lotada de ACs. Experimentámos as torneiras da estação de serviços e… nada! A água deve chegar no dia da inauguração.

O local é agradável, o piso parece-me estável e nivelado. Poderá ter algum ruído matinal, pois partilha o espaço com o estacionamento da estação a CP e há muita gente a apanhar os comboios das 6.30-8.30 para Lisboa, Porto e Coimbra.  A ASA fica a 10min do centro da cidade e à sua volta há supermercados.

Para ir ao centro da cidade, descendo a Avenida Lourenço Peixinho, devem dirigir-se à estação da CP, descer as escadas rolantes, atravessar a estação (há jornais, multibanco, bar), subir as escadas do lado oposto e pronto, estão no início da Avenida! É só continuar…

Quem quiser visitar o Porto, deixa aqui a AC, apanho o comboio suburbano e em 50min está no Porto a preço muito acessível. É uma ideia…

Oxalá os autocaravanistas saibam merecer esta ASA que tanta falta faz no contexto da redução de liberdades derivada do art.-º 50-A.

Pronto! Para dia de estreia foi muito bom. A Juliette rodou, portou-se bem como de costume e nós relaxámos um pouco.

Hasta pronto!

A presto!

À bientôt!

See you soon!

Auf wiedersehen!

Segurança: convém relembrar.

Março 19, 2021

Este texto é sobretudo para os mais novos, os que se iniciam agora no autocaravanismo e para relembrar algumas coisas aos mais velhos, caso já se tenham esquecido ou relaxado um pouco.  Os ladrões, esses não relaxam e  sabem que temos tudo dentro da nossa “casinha com rodas”.

A segurança é um tema controverso, com muitas opiniões, muitas atitudes diferentes, mas penso que é como a “presunção e a água benta”: cada qual toma a que quer. No entanto, ainda que cada um tenha os seus truques, falaremos de coisas mais ou menos comuns. E o primeiro é exatamente este: não revelar os truques, as pequenas bricolages e artimanhas securitárias que são só suas. Bem, pelo menos não as revele na internet, no seu blogue ou nas páginas das redes sociais. Como sabemos, os “amigos do alheio” também usam as redes sociais e são muitos atentos a qualquer informação nova. Se quiser partilhar com alguém faça-o presencialmente aos seus amigos ou companheiros autocaravanistas com quem tenha um relacionamento de confiança. Porém, se quer contribuir para a informação comum, apontando este ou aquele truque ou dispositivo,  pode fazê-lo de uma forma neutra, não revelando que são esses os que tem na sua AC.

É importante acrescentar que uma autocaravana não é uma trincheira, um castelo que se defende por dentro e por fora com todos os meios e às vezes tão bem defendida por dentro que, em caso de emergência, não se consegue sair com a rapidez desejada.

Portanto, nada de exageros. Não fiquem prisioneiros (dentro) das vossas autocaravanas.

Então vejamos: em primeiro lugar, não sou perito em segurança, pelo que se não disser nada de novo, alguém que se chegue à frente e acrescente uma novidade; em segundo lugar, devemos lembrar-nos que os ladrões andam sempre vários passos à nossa frente, com métodos e tecnologias que não lembram ao diabo!!

Partindo do princípio de que transportamos outros bens para além da simples viatura, é natural que sejamos um alvo apetecível para os “cacos”, como dizem os espanhóis, “voleurs” ou “cambrioleurs” como os franceses, “thieves” como os ingleses, “ladri” como os italianos ou “diebe” como os alemães.

Geralmente, os roubos ocorrem com maior frequência em meios urbanos, nas grandes cidades ou em lugares onde há grandes fluxos turísticos. Também acontecem em áreas de serviço de ACs ou autoestradas, em campings, em parques de estacionamento… é onde acontece… é aleatório. O azar é estar no lugar errado à hora errada. Um roubo, estatisticamente, não dura mais que um ou dois minutos. É, portanto, uma ação rápida, num espaço pequeno, executado por um ou dos indivíduos que sabem bem ao que vão e onde procurar.

Falemos, pois, do pequeno roubo e do estrago que causam, e deixemo-nos de “raptos” de AC, que também existem, mas concentremo-nos em ideias e práticas que dificultem ao máximo o trabalho dos assaltantes.

Os lugares de estacionamento e pernoita

A escolha do lugar onde estacionar/pernoitar é importante pois permite-lhe ir fazer as visitas e os passeios sem grandes preocupações ou dormir tranquilo. Escolha, se puder, um lugar BTS: Bonito, Tranquilo e Seguro.

Assim, evite lugares:

-isolados em cidades/países com índices de criminalidade elevados;

-onde haja muito movimento diurno/noturno de camiões, do género AS de autoestradas;

-isolados que tenham marcas de “pião” no solo (estes, ao fim de semana, costumam ser barulhentos);

-que tenham muitas garrafas de bebidas espalhadas pelo chão (Espanha, Itália…);

-pouco iluminados ou demasiado sombrios;

-as concentrações de AC onde a ilusão do grande número não garante proteção; não relazxam

O contrário é que está correto.

Sabia que é nos parques de estacionamento dos supermercados que acontecem muitos roubos? Pois é…Um ladrão acompanha os “clientes” nas compras e o(s) outro(s) faz(em) o servicinho. Atenção! Prefira os pequenos/médios supermercados, com estacionamentos mais próximos e, pelo menos uma vez, espreite para ver como está a sua AC. E, se o(a) seu (sua) acompanhante não de importa de fazer as compras sozinho(a), melhor.

Segurança externa:

A segurança externa passa por verificar o fecho de todas as portas e janelas sem esquecer as claraboias maiores. As mais pequenas, desde que não caiba nelas um jovem podem ficar minimamente abertas. Devem subir-se as escadas de acesso ao tejadilho, se as houver.

De  qualquer forma, pode sempre instalar-se:

-fechaduras externas/ internas de reforço (há vários modelos e marcas)

-luzes e alarmes perimétricos que funcionem por proximidade (1m).

Não são recomendáveis em estacionamentos ou parques que tenham muito movimento, mas em estacionamentos mais ou menos isolados, a evitar, como já se disse.

Segurança interna:

Aqui penso que haverá muito a dizer. A segurança interna é mais pessoal, uns mais apetrechados do que outros, mais ou menos cuidadosos. Apesar disso, parece-me boa ideia:

– instalar um bom alarme eletrónico que abranja habitáculo e motor, isto é, todas as portas e capot e que tenha capacidade volumétrica para detetar movimentos, sobretudo no interior.

-instalar um corta-corrente que imobilize o motor ou uma função vital (p.ex.  cortar o combustível). Impedirá assim que a AC seja “raptada”.

-colocar fechaduras / fechos internos na portas (há-os de vários modelos e marcas, é só escolher);

-pôr cintas ou cabos de aço de porta a porta de modo a impedir que se abram por fora;

-reforçar os vidros – dado que os vidros mais quebrados pelos ladrões são os triangulares ou os do condutor/ pendura, conviria reforçá-los com uma película que dificulta partir o vidro. Em PT essa película (Películas  LLUMAR) é instalas por uma empresa do Porto, segundo ouvi dizer. Não vi ainda nenhuma, mas há um vídeo no Youtube que ajuda a perceber como funciona. Passo a publicidade.  Está em: https://www.youtube.com/watch?reload=9&v=VyKlP2trTrc

-detetor de gases. Bem, aqui a discussão instala-se: há ou não gases soníferos? (já sei…há quem diga soporífero, mas os soporíferos são soníferos).

Os especialistas dizem que não, que seria preciso uma grande concentração de gases e uma densidade muito elevada para fazer efeito. As vítimas de assalto dizem que sim…que não deram conta de nada e de manhã acordaram com dor de cabeça. Não sei…

Sei que um detetor de gases é capaz de ser boa ideia. pois geralmente detetam os gases mais comuns: gases de combustão, butano, propano. Um elevado nível de CO2 também será detetado… No entanto, nunca vi nenhum em ação nem espero ver…

E pronto, espero ter ajudado…

Outras contribuições, serão bem-vindas.

Carta (mail) à Srª. Secretária de Estado da A.I.

Dezembro 2, 2020

Ex.ma Senhora Secretária de Estado
Prezada Senhora:

Adivinha-se uma legislação excessiva e restritiva à mobilidade das autocaravanas em Portugal. Olhando as redes sociais e os blogues relacionados com autocaravanismo, quer nacionais que estrangeiros, nota-se um claro manifesto de dúvida, revolta, incompreensão e desânimo. Dúvida, que requer clarificação, na definição de “aparcar”, “estacionar” e “pernoitar”;. Duvida ainda na definição de “fora das vias públicas” e na atuação das forças de segurança. Revolta porque os autocaravanistas sentem-se discriminados em relação a outros veículos de igual categoria (M1) e incompreensão porque na sua maioria são pessoas de bem e cumpridores das normas e leis vigentes. Finalmente desânimo porque, a autocaravana, para muitos, sobretudo os reformados, é um investimento importante, um pequeno prémio por uma vida de trabalho, a possibilidade de ir onde nunca foram, pois os seus recursos não o permitiram. É justo limitar, até inviabilizar, por legislação, essa recompensa?
Noutra perspetiva, acantonando todos nos parques de campismo, afigura-se-lhes como um claro protecionismo a estas estruturas que, sendo um investimento, comportam riscos. Quão melhor é ter o guarda-chuva do Estado a proteger o seu negócio! Será que com esta exclusividade vão aumentar os preços?
Permita-me uma sugestão: acabe V. Exª com a designação de veículo “especial dormitório” (Deliberação n.º 291/2019), que enxameiam as praias e que, ao contrário das autocaravanas não incluem um bloco sanitário, levando os proprietários a recorrer ” à natureza” quando a natureza chama. Evitar-se-iam muitos equívocos, quer de nomenclaturas quer de funções. Arriscaria dizer que muita da má imagem do autocaravanismo provém da proliferação deste veículos.
Não sei se a Senhora Secretária de Estado terá um texto definitivo da nova legislação. Se não tem, solicito-lhe que ouça as entidades certas: Federação Portuguesa de Autocaravanismo, ACP, associações e outras que aconselharão V. Ex . ª sobre as especificidades, as necessidades e, sobretudo, sobre esta modalidade de turismo itinerante, tão válida como qualquer outra e geradora de riqueza, emprego e que corre o risco de definhar, ao contrário da Europa onde cresce e se expande. E a Espanha aqui tão perto…

Com os melhores cumprimentos,

O decreto Sousa Tavares ou o poder dos media

Dezembro 1, 2020

O mês de novembro foi fértil em notícias e reportagens sobre o autocaravanismo. Os media tiveram espaço e tempo para reportar, mostrar ou escrever o que há de mais chocante no autocaravanismo: a invasão de espaços naturais, a permanência em locais interditados, a proliferação de lixo, os despejos, as aglomerações, etc.

Todos sabemos que os media se alimentam do relato do anormal e do que nos é próximo e nos choca. Um exemplo que é clássico: um terramoto no Japão com alguns milhares de mortos não tem o mesmo impacto que um incêndio na nossa cidade, numa rua que frequentamos e onde provavelmente conhecemos alguém. O Japão está muito longe e fora da nossa realidade; um incêndio na nossa cidade toca-nos profundamente porque se enquadra no que nos é familiar. 

Na mesma forma, a notícia de um grupo, pequeno ou grande, de autocaravanistas que permanece e pernoita em locais onde supostamente não devia ganha uma projeção nacional e amplifica-se na comunidade local quando os media sistematicamente o noticiam. Pode ser apenas um grupo, de nacionais ou estrangeiros, mas se ao facto acrescentarmos algo mais impactante como abuso na ocupação de espaços, pisoteio de dunas, fogueiras, lixo, despejos ilegais, barulho e tantas outras, temos uma dimensão que ultrapassa qualquer número e chega a um coletivo: são todos os autocaravanistas ali representados, todos com o labéu de “feios porcos e maus”. Será assim?

No entanto, foi essa a mensagem que passou para a população e teve eco nos grupos de populares que, organizados em “milícias” ou “cidadãos preocupados com o ambiente” expulsaram, sim, expulsaram com o beneplácito e indiferença das autoridades, outros cidadãos do local onde estavam supostamente em situação ilegal. Há muito tempo que a afirmação da autoridade não caía na rua e se deixava substituir por grupos organizados, numa clara manifestação de fraqueza e complacência perigosas. No dia em que houver resistência ou resposta a essa pretensa autoridade das milícias do ambiente, a quem vamos pedir responsabilidades? São conhecidos casos de abordagens agressivas a autocaravanistas em Sagres e Aljezur, mas a GNR e outras autoridades desvalorizaram porque não houve queixas. E se houver, como reagem? Com indiferença e complacência?

O poder dos media é grande e tem algumas figuras que são “opinion makers” ou  “formadores de opinião”, isto é, ajudam a formar uma opinião sobre um tema qualquer.  Estas figuras são também “influencers”, ou seja, influenciam, orientam a opinião das pessoas. Estão nestes casos jornalistas, comentadores televisivos, políticos reformados ou fora dos partidos que, com o seu conhecimento, a sua carreira, o seu prestígio pessoal, ascenderam a esse patamar e são uma voz escutada e considerada.

Com o respeito que qualquer pessoa me merece e quer queira quer não queira, o jornalista/escritor Miguel Sousa Tavares (MST) guindou-se a esse estatuto, opinando sobre tudo e todos nos jornais e televisões. E também opina sobre autocaravanismo de que é muito conhecedor, pois fez um “coast to coast” nos States em autocaravana. E porque é advogado e generoso propôs-se fazer uma lei, pro bono, isto é, sem cobrar honorários, na qual disciplinaria à força todos os autocaravanistas encerrando-os nos parques se campismo cobrando multas altíssimas (eu diria anedóticas, por absurdas) aos prevaricadores. Para quem diz ter “respeito pelos portugueses que têm [nesta modalidade] a única maneira de fazer caravanismo” (TVI, 25-05-20), as declarações de novembro último representam a perda desse mesmo respeito. É recíproca, essa perda.

Porém, como tem à sua disposição um canal televisivo e é um influencer escutado e temido pelos políticos, deu força e motivações a vários outros intervenientes no processo de disciplinar os autocaravanistas: aos políticos para justificar nova legislação; ao lobby dos parques de campismo para chamar a si uma clientela que lhe escapava e aos pretensos “grupos de cidadãos preocupados com o ambiente” para expulsar (a palavra implica violência verbal ou física) outros cidadãos de um local que é de todos.

Os autocaravanistas já batizaram a nova legislação: decreto Sousa Tavares. Esperamos que não seja tão absurdo quanto o patrono. Se tanto o preocupa o autocaravanismo, o turismo, o ambiente e o património, porque não invetivar contra o plantio intensivo do olival alentejano ou do abacate algarvio, verdadeiros sumidouros de água, ou a destruição de monumentos megalíticos e vilas romanas em benefício desses mesmos plantios?

Haja respeito e bom senso.

Os portugueses são avessos ao associativismo

Novembro 20, 2020
cosmocronos: O que é o "Associativismo"?

Os portugueses são avessos ao associativismo. Ponto final.

Se formos à História, enquanto o associativismo de base operária era legalizado em Inglaterra, em 1824, nada aconteceu em Portugal e só nos finais do séc.19 se pode falar de associativismo e sindicalismo em Portugal. A criação de grémios, associações comerciais e industriais e organizações mutualistas, são disso exemplo.

No séc. XX, a instabilidade da República, a ditadura do Estado Novo, o corporativismo e o apertado do controlo social em nada ajudaram a esses movimentos. Só o 25 de abril de 1974, ao devolver ao povo as liberdades necessárias e entre elas a liberdade de associação, permitiu as condições para a criação de associações do mais variado tipo. Tarde demais, do meu ponto de vista, pois não era uma tradição enraizada e as tradições demoram a estabelecer-se.

Não temos uma tradição associativa e, se bem que aqui ou ali surja um clube, uma associação, ou o que quer que seja, se não for  qualquer coisa descomprometida, de onde se entra ou sai, se não tiver uma vertente lúdica (umas passeatas, uns piqueniques, uns festivais, uns bailaricos com jantarada) dificilmente se angariam aderentes ou sócios. Então, se a motivação da associação ou clube for um pouco mais além e tratar de assuntos mais sérios, nada a fazer… Pior ainda é estabelecer uma quota, uma mensalidade que permita o funcionamento mínimo de uma associação: pagar a renda da sede, água, eletricidade, comunicações, correio, deslocações a reuniões, etc. Então é que ninguém aparece e, se aparece, é para exigir contas e resultados.

É claro que as associações e clubes têm o dever de prestar contas aos associados, quer de receitas/despesas, quer de cumprimento do seu plano de ação ou programa. Certamente que sim.

Prossigamos agora para o caso do autocaravanismo. Neste momento temos alguns clubes, poucos, algumas associações, poucas também, uns quantos grupos informais nas redes sociais e uma federação. Digo uma porque “a outra” (as aspas são propositadas) não representa, a meu ver, os interesses dos autocaravanistas, não diferenciando modalidades nem se descomprometendo com outros interesses que, por força, querem confinar as autocaravanas aos parques de campismo em caso de paragem ou pernoita.

E porquê não há mais clubes e associações? Porque o português é avesso ao associativismo, a dar a sua confiança a um grupo de pessoas que o representem. Depois, não gosta de compromissos: ir às assembleias, intervir, dar sugestões, apoiar as direções, pagar as quotas… é tudo uma chatice.  É bem melhor ir para as redes socias e dar voz à maledicência, o que é uma ocupação nacional, e escrever:  os clubes e associações não têm préstimo, não oferecem regalias nem descontos nem cartões,  não fazem nada, não os defendem nem batem à porta das autarquias, os dirigentes gastam as quotas em almoços e jantares, enfim, um chorrilho de asneiras que nada mais são que ignorância e má fé.

Mais ainda, sobre este contexto, podem sempre dizer: “Eu tenho a minha ‘casinha sobre rodas’, vou para onde quero, paro onde quero, gasto os meus euros onde sou bem-vindo, evito algumas regiões onde não sou bem recebido…Sou livre!” É mesmo livre? Não me parece. Se há interdições, se se autolimita, não é livre.  Parece-me é que revela outra faceta do ser português: olhar para o umbigo e dizer muitas vezes “eu…” e esperar ou exigir que alguém resolva e depois aproveitar, ir de mansinho e assobiar para o lado.

As bases de uma federação forte são os clubes e associações quando, eles próprios, são sólidos, unidos e dinâmicos. Uma árvore não cresce sem raízes saudáveis; uma federação não se desenvolve sem clubes nem associações e estes sem associados e membros. É uma cadeia. Nada podemos exigir a uma federação, se não formos associados de um qualquer clube.

Fiquem bem.

Uma RAARA ideia de autocaravanismo e de “melhor escolha”

Outubro 29, 2020

A Região de Turismo do Algarve (RTA) patrocinou mais uma campanha de “sensibilização” dirigida aos autocaravanistas, no sentido de “desincentivar” o “autocaravanismo ilegal” em espaços “informais”.

Depois de enumerar os benefícios da utilização das estruturas da RAARA, tais como conforto, segurança, equilíbrio ambiental e legalidade de permanência, vem o contraponto com o dito ilegal, terminando com a ameaça suave, mas ameaça, e que é: quem não usar as estruturas da RAARA corre o risco de ser multado pelas autoridades.

Ora, esta ameaça carece de fundamento. De facto, se não houver sinalização contrária nem outro qualquer impedimento legal, uma autocaravana pode estacional em qualquer lugar, tal como qualquer outro veículo.

Consultei o site da RAARA (https://autocaravanalgarve.com) desde o menu “Apresentação”  a “Notícias” e parei um pouco nas “Estatísticas”, da responsabilidade da CCRDAlgarve. Ali, reparamos que os Parques de Campismo e Caravanismo sofrem uma queda acentuada de autocaravanas nos meses que vão de maio a setembro; que o mesmo se verifica nas outras regiões do país; que é a partir de setembro até maio que mais autocaravanas permanecem no Algarve;  que são franceses, alemães, espanhóis, portugueses, ingleses e holandeses, por esta ordem,  quem mais frequenta as ASAs da região algarvia.  Note-se que os portuguese ocupam o quarto lugar, não sendo, portanto, os maiores utilizadores. Notamos também que quando estas nacionalidade se vão embora, em maio, começa a subida dos autocaravanistas portugueses e espanhóis no Algarve (mais que os portugueses) até setembro/ outubro. Resumindo, portugueses e espanhóis aparecem na época média/alta, quando o restante turismo está em alta e é, por essa razão, que não querem lá os autocaravanistas, exceto se for nas infraestruturas que compõem a RAARA. É certo que que as estatísticas do ano 2020, durante o primeiro trimestre confirmam as dos anos anteriores, mas a partir de março caem quase para o nível zero, culpa da pandemia COVID e cuidados associados.

Quem esteve no Algarve este verão, verificou que a frequência turística foi razoável, longe das enchentes dos anos anteriores e que foram os portugueses e espanhóis quem “salvou” o verão, embora não tanto quanto os algarvios o desejassem. Por isso, pensa a RAARA, levantando os argumentos do costume, é necessário continuar nesta captação, para ocupar as estruturas associadas.

Mas como ocupar as estruturas associadas, se a maioria não responde aos quesitos levantados pelos autocaravanistas?

Os autocaravanistas, segundo as estatísticas, permanecem 5/6 dias no Algarve. Ora, o que se faz no Algarve durante o verão? Sol e praia, mas a maioria das estruturas RAARA estão longe da praia, implicam um segundo transporte e a consequente perda de tempo e custos acrescidos…porque nem todos têm bicicleta ou ciclomotor

Acresce que os parques de campismo (PC), na época alta, praticam preços absurdos, acima dos 25 e até 40€, (3pax), tornando incomportáveis quaisquer férias. Isto, quando as ACs não precisam de metade dos serviços oferecidos pelos PC, necessitando apenas de um recinto plano e vedado, com serviços de apoio. Há no Algarve outras infraestruturas que oferecem os mesmos serviços que os PC por 10€, sem limite de ocupantes da AC.

Esta é a parte que os PC ainda não compreenderam: as autocaravanas não precisam da totalidade dos serviços dos PC, logo deveriam ter preços compatíveis. Há muitos PC por essa Europa fora que ao lado ou dentro dos parques têm uma área reservada e separada para ACs, sem acesso ao restante PC… mas com preços reduzidos. Porque não fazem o mesmo no Algarve no resto do país?

Muito haveria a dizer sobre este e ouros assuntos, mas deixo para outra publicação.

Fiquem bem!

José Caseiro

Saídas de inverno

Outubro 24, 2020

Decidi reativar o meu blogue “Viajante lusitano”.

A partir de hoje publicarei aqui os textos inteiros que porei no Facebook e nos vários grupo de ACs que frequento. O Facebook será para textos mais curtos, de leitura imediata e este blogue para outros textoscomplementares de acordo com o espírito deste blogue. Boas leituras …e comentem.

Algumas coisas podem parecer antigas, mas são sempre atuais.

Saídas de Inverno.

Como será o começo do inverno 2020 em Santa Catarina | Puchalski | NSC Total
Ge

Eu não percebo: as montanhas estão, na sua maioria, a oriente do território e têm um peso incrível, mas temos um país inclinado a ocidente onde parece que tudo resvala para o litoral. (Contra mim falo, que sou um beirão serrano a viver -por enquanto- no litoral). Assim, porque se concentra tanta AC na orla costeira? Escorregam? Perderam os travões?

Tivemos este ano um fenómeno extraordinário e não me refiro apenas à pandemia, mas às suas consequências para os autocaravanistas. E o que vimos foram restrições temporárias de acesso às praias e parques de estacionamento, sementeiras de sinais de trânsito restringindo a circulação de ACs e uma imprensa que não nos deu tréguas, apontando os maus exemplos (correto, concordo), mas não passou daí. Não tentou compreender o fenómeno do autocaravanismo, não falou com quem devia, não diferenciou comportamentos, não solicitou o contraditório, enfim, fez um mau serviço. E, quando fez, admito falhas de memórias, foi para promover o comércio de aluguer de ACs da empresa A, B, ou C que, como sabemos, não fazem formação de utilizadores, explicam o básico do funcionamento da AC, nada de códigos de conduta, muita fé e que tudo corra bem. Por outro lado, quanto a roteiros e percursos, essa mesma imprensa e TVs, parece-me que só conhecem a Costa Vicentina, o Alentejo e o Algarve. Provavelmente, a maioria dos quadros dessas empresas de media é alentejana e defende o território do seu coração. Não tenho nada contra os alentejanos, pelo contrário, respeito-os e tenho-os na maior consideração, sem uma parte do território nacional que (também) visito com frequência. Mas, e o Norte? E o Centro?

Estas duas regiões foram as privilegiadas pelos ACs este verão. As praias fluviais, os pequenos campings, as ASAs e ESAs das zonas centro/norte, encheram de ACs, famílias e seniores com os netos, num movimento surpreendente e muito positivo para quem trabalhou para providenciar boas condições de acolhimento para todos. Digam-me vocês: o que é que o litoral tem que o interior não tenha? Dentro das suas proporções…entenda-se. Certo, também se rumou ao Algarve, à Costa Vicentina, desafiando o exército de sinais e proibições, as autoridades, o que que não é boa ideia. Outros elegeram as praias fluviais da bacia do Alqueva (e muito bem!), e houve até quem andou por aqui e por ali numa verdadeira itinerância, o que é de assinalar.

Pelos meses que se seguem, e tendo sempre um olho no projeto de viagem e outro no Covid, sempre que a aconselhável e seguro, o interior do país pode ser a continuação as opções de verão. Haverá míscaros, cogumelos variados, castanhas, queijos, enchidos, legumes tenros e biológicos, boa batata, mercados tradicionais em cada dia da semana (basta comprar o Borda d’Água para se orientarem nos dias de mercados), a boa gastronomia regional, as adegas cooperativas e particulares, o património  histórico – castelos raianos ou não, catedrais, ruínas romanas,  termas, paisagens protegidas e naturais…-um mundo a (re)descobrir.

Os dias serão mais curtos, as noites longas, mas, bem programado, haverá tempo para tudo: dormir, acordar mais tarde, ir ao restaurante com calma, ao passeio ou caminhada, à leitura (sim, a leitura, porque não?), ouvir uma musiquinha, uns jogos de carta, conversar, sim, conversar muito, marcar uma visita a algum lado, sem pressa, sem atropelos…

Isto tudo é melhor do que deixar a AC virada à nortada do litoral, a encher-se de salsugem (aquele salitre que enferruja tudo, até os alumínios), aos ajuntamentos das Foz(es) e outros locais que tal.

Saídas de inverno? Ainda duvida sobre os destinos a marcar?