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Azrou e Ifrane, a Suiça marroquina

Maio 25, 2014

Azrou e Ifrane, a Suiça marroquina, O km

 

Direi agora que estamos alojados no camping “Eurocamping” um complexo amplo que tem duas plataformas extensas para autocaravanas. As instalações são limpas e funcionais, o pessoal simpático e prestável. Tranquilo e muitos seguro (guarda 24h).

Disse-se que era propriedade de um magnata com negócios no Dubai. Na verdade, há ali um grande investimento.Imagem

Combinado desde a véspera, o encarregado do parque ofereceu-se para nos levar, em duas viagens, à mata dos cedros. Não sabíamos nós que a viatura era pequena pelo que, enlatados, fomos conduzidos com a habitual simpatia à dita mata.

No ponto de partida das “excursões” à mata há alguma confusão: cavalos ajaezados à marroquina, muito coloridos, são “oferecidos” aos visitantes para uma viagem descansada. Naquele dia, eram mais os cavalos que os pretendentes pelo que os “jokeys” divertiam-se a fazer alguns piques com as montadas.Imagem

Contratado um guia por 100 dirhams (tinha pedido 500!!) partimos à descoberta da mata dos cedros, ao lago (que não tinha água) e aos macacos. Valeu a caminhada cerca de 2 horas, entre árvores, um ar fresco e puro e uma primavera a despontar. Claro que pesaram os pés, as barrigas e os traseiros, mas conseguimos chegar ao cimo da colina para ver as vistas, à custa de muitos incentivos às senhoras e cavalheiros. A idade não perdoa e a falta de treino também!!

Os macacos fizeram as habituais macaquices: correram à nossa volta, pedincharam comida, beberam água pela garrafa tal qual um humano e portaram-se bem. Ao nosso transportador ( o encarregado do parque, pagámos apenas a gasolina!! Generosa gente!!

Regressámos e fomos almoçar à cidade, num restaurante ao lado do mercado de frescos bastante concorrido e fumarento e onde se via claramente que quem mandava eram as mulheres. Comida abundante e a preço muito razoável. ImagemEnquanto esperávamos pelos táxis que nos levariam a Ifrane, fizeram-se algumas compras no mercado: frutas e legumes. Alguns preços: ervilha a 40cêntimos, laranja idem, meloa a 70 e oferta de um ramo de coentros.

Novamente enlatados nos táxis visitámos um centro de ski e Ifrane, uma cidade limpa, muito ajardinada, com cafés e restaurantes sofisticados e visitantes nórdicos: havia alemães, dinamarqueses e noruegueses, tudo na terceira idade endinheirada.

Por ali andámos até nos apetecer…e regressámos enlatados, em boa camaradagem e disposição. Começávamos a habituar-nos a estes apertos!Imagem

À noite houve concurso culinário de ervilhas estufadas. Ganhámos todos porque as ervilhas estavam muito boas…e os vinhos também.

Antes de terminar, uma pequena história. Tinha-me esquecido da máquina fotográfica no táxi! Contei o sucedido ao encarregado do parque e este, com um telefonema localizou o taxista. Levou-me no seu carro à “praça de táxis” e foi-me entregue a máquina. Como o taxista não tinha o número de telefone do encarregado, esperou ser contactado, guardando a máquina. Boa gente!

Chefchaouen -> Azrou , 275 Km

Maio 22, 2014

Chefchaouen -> Azrou , 275 Km

 

Desta vez não saímos muito cedo: 10h

Já fora do camping Azilan, olhando para a cova onde se aloja a cidade, depara-se-nos um espetáculo inédito: durante a noite formou-se uma névoa baixa sobre a cidade, que, agora pela manhã, parece um imenso lago e o pico das colinas pequenas ilhas. Fascinante.Imagem

Novamente montados, mergulhamos no nevoeiro e iniciamos a etapa para Azrou.

A viagem decorre sem história entre campos cultivados, muitas árvores de fruto, cerejeiras em flor e, aqui e ali, alguns postos de venda de combustível, de barros diversos e artesanatos locais. Numa breve paragem à beiras desses postos de venda, as senhoras, em maré de compras, regateiam uns lenços de cabeça, umas sobressaias  e eu, porque não, uma tagine de barro por 2,5 euros. Uma curiosidade: onde há uma torneira pública de água há também, invariavelmente, uma caneca de barro ou alumínio presa por um fio. O “utente” chega, enxagua a caneca, bebe, enxagua a caneca e tudo fica pronto para o próximo…Imagem

A estrada corre pela N13. Vão desfilando campos, aldeias, rebanhos. Num ponto do qual que não recordo o nome parámos num miradouro sobre um extenso vale e admirámos uma paisagem grandiosa, verde, algo enevoada, com pouco relevo mas a perder de vista. Mais uma vez, Marrocos surpreende-me. No lugar, um rapaz novo vende cogumelos. São frescos, cheirosos, mas de uma espécie desconhecida para mim. Assim, entre o receoso e o curioso, ganhou o receoso e não comprei. Não conheço o nome em português. Em francês é “morille” (morchella esculenta). Crus, são tóxicos; depois de cozidos são comestíveis e dizem que muito bons. Eram baratos…e a viagem continua.Imagem

Ao lado de Moulay Idriss (moulay quer dizer santo) ficava o sítio arqueológico romano de Volubilis. Era um pequeno desvio…passámos ao largo…foi pena.Imagem

Por alturas de Meknés cruzámo-nos com a volta a Marrocos em bicicleta e toda a confusão de trânsito que isso provoca: ruas cortadas, polícia, um frenesim desajustado. Consta que participava também uma equipa portuguesa. Mais uma vez e não parámos em Meknés Ao que consta, teria valido a pena. “Fica para a próxima”; não é assim que se diz?

Depois de Meknés e por largos quilómetros a estrada atravessava extensos vinhedos bem tratados! Pois é, Marrocos também produz vinho e, pelo que dizem, de fraca qualidade e exagerado preço. Há até publicidade a quintas/adegas locais com visita guiada e degustação!

Finalmente Azrou e o fim da viagem. Antes de ir para o camping ainda parámos no mercado berbere de Azrou, uma feira da ladra de produtos usados ou em 2ª/3ª mão, desde roupa, calçado, eletrónica e peças auto, sem nada de interesse para nós. Valeu pelo exotismo, pela variedade de gente, pelo molho de menta a 2 dirhams. Cansados, ainda tivemos tempo para um rápido jantar coletivo, uma cavaqueira, um chá de menta bem forte e toca a dormir. Amanhã ficamos por Azrou.

A cidade azul

Maio 14, 2014

Segunda etapa: Algeciras ->Chefchaouen 129 km

Bem cedos nos levantámos para apanhar o ferry. Estava frio e do estreito soprava umm vento fiteirinho, fresco. Depois de alguns controles e alguma espera, enfiámos as viaturas no ventre da baleia, no meio dos TIR, e subimos ao convés dos passageiros para a travessia do estreito. Poucos europeus e muitos africanos, na sua maioria, claro, marroquinos, compunham o grosso dos passantes. O ferry saíu com 45min de atraso, nada de invulgar. Durante a viagem, numa mesa improvisada, funcionários aduaneiros, presumo, fazem os preliminares do preenchimento da “fiche de police” e no passaporte estampam o carimbo de entrada com um número que servirá de referência a toda a burocracia que se realizar, por exemplo, uma troca de dinheiro num banco. Portanto, depois da vez dos marroquinos enfileirámos também para o dito carimbo no passaporte. À chegada os passageiros desapareceram como por milagre, bem como os TIR e nós fomos peregrinar para os serviços alfandegários. Tudo o que se disser sobre esta parte é verdade: alguma lentidão, muitos compassos de espera, papelada de mão em mão, os “ajudantes” a rondar clientes e polícias, estes a fazerem-se “caros” e não dar cavaco a ninguém. Enfim, uma comédia por dois carimbos e uns euros nas mãos dos “ajudantes”. Estes ajudantes têm a suposta missão de “facilitar” a obtenção das tais preciosas carimbadelas junto da polícia e serviços mas não sei se resulta. Isto é, para eles resulta pois embolsam sempre alguns euros! Pior mesmo só para os marroquinos dos furgões, atulhados até nada mais caber, que têm que esvaziar tudo. Dá pena!
Passámos sem revistas, trocámos nos postos de câmbio alguns euros e lançámo-nos no caminho de Chefchaouen não sem uma paragem numa estação de serviço para uma pequena refeição e alguns abastecimentos de combustível. Não eu que, parvo, abasteci em Algeciras a 1.29 e em Marrocos era a 0.88!! Convém dizer que em toda a viagem privilegiámos as estações da Afriquia e o gasóleo 50+, conforme recomendado por muitos bloguistas e foreiros.
Depois de um moderno troço de autoestrada tomámos então a nacional para Chefchaouen, por uma estrada algo sinuosa e com muito trânsito. Apreciámos desde o início a famosa forma de condução marroquina que caracterizarei mais tarde. Porque (soubémos mais tarde) Marrocos contava com uma visita real estrangeira, as ruas e estradas estavam limpíssimas, embandeiradas e, pasme-se, em cada rotunda, urbana ou não, havia um piquete da polícia de trânsito, umas com radar outras não. Atenção, pois, aos limites de velocidade: valem 300 dirhams, pelo menos!
As primeiras impressões paisagísticas foram agradáveis: muito verde, todo o espaço disponível bem cultivado, muitas árvores de fruto e grandes rebanhos de ovelhas.

Chefchaouen é uma cidade em presépio, acidentada, que se estende por uma colina acima e abaixo. Vencida que foi a subida até ao parque de campismo Azilan, por ser o mais próximo da cidade. Instalados e almoçados (houve quem tivesse que ser arrancado da mesa quase a ferros) preparámo-nos para ir dar uma volta à cidade. Eram 16h e o tempo convidava ao passeio.
O camping é velho e com obras recentes de terraplanagem. Os WC são arcaicos, disfuncionais, mas estavam limpos. Duas pessoas e uma autocaravana, sem eletricidade, 95 dirhams (cerca de 9 euros) por dia.
O acesso pedonal à cidade faz-se por uma vereda algo inclinada, cimentada a espaços, conduz quase diretamente a um mercado de rua, que na altura estava a terminar. Porém, pudemos apreciar a muito boa qualidade de alguns legumes frescos e frutas, circunstância que se havia de repetir noutros mercados.
Depois, foi tempo de nos “perdermos” no souk e na medina, de fazer e regataer as primeiras compras, provar o primeiro chá muito intenso de menta, tirar dezenas de fotografias, sentir o pulso à cidade, procurar as suas belezas escondidas, descobrir porque lhe chamam a cidade azul, enfim, regalar os olhos que foi para isso que ali viémos. Anoiteceu e nós nas compras. Foram horas de passeio numa cidade indescritível, de gente afável e sorridente, tão sorridente como o taxista que aceitou 6 passageiros no seu velho, decrépito e fumarento Mercedes 240D e que por 1 euro cada nos levou a todos, enlatados, ao parque de campismo!!
Noite descansada. Pela madrugada um malfadado galo veio cantar à minha porta e eu pensei seriamente em fazer dele cabidela! Chiça, que ferro!
Três fotos de Chefchaouen:

Cidade vista do parque de campismo

Cidade vista do parque de campismo

Ruela comercial

Ruela comercial

Uma viela azul

Uma viela azul

De costa a costa…NO/SE

Maio 13, 2014

O convite foi-me endereçado por um amigo: vamos a Marrocos na Páscoa? A data não era das melhores, nem as circunstâncias as mais favoráveis. Porém, como quase tudo na vida, se não se forçar um pouco, as coisas não acontecem. As formalidades foram-se preparando, os orçamentos acautelando, os contactos, as leituras e, finalmente, mesmo com umas indefinições de última hora, algumas ansiedades, uns contratempos, tudo se conjugou para um dia e umas horas antes do embarque haver luz verde para partir. Custou um pouco…
No entanto, como outros já tinham preparado o roteiro, as paragens, as etapas, as formalidades fronteiriças e alfandegárias, foi mais fácil partir.

Primeira etapa: Aveiro->Algeciras, 862 km
Saída de Aveiro bem cedo com paragem em Lisboa. Nova paragem em Grândola, agora para almoçar no “Cruzamento” um grão com pezinhos e umas migas de carne. Almoço frugal, portanto…de tal abundância que a empregada, simpática, perguntou se queríamos levar o resto. Levámos. Abaixo de Grândola deixámos o IC1 e tomámos o IP8 por Ferreira do Alentejo, Beja e sem detença em Serpa continuámos em direção à fronteira.
Outra paragem em Vila Verde de Ficalho para comprar pão alentejano. Depois de alguma espera pela reabertura da padaria, lá conseguimos o almejado pão. Já em Espanha, Aracena, abastecemos algum combustível e, numa viagem sem história, contornámos Sevilha, Jerez de la Frontera e finalmente Algeciras, pelas 19h. 12 horas de viagem, incluindo as paragens.
O ponto de encontro era o parque industrial de Palmones, no estacionamento do CComercial Factory e Mercadona. (Coordenadas Google: N 56º 10’ 58’’ – O 5º 26’ 16’’
Porquê? Porque ali perto fica a agência de viagens que mais eficientemente trata de todas as papeladas e consegue bons preço nas passagens de ferries.
Aqui está o URL do sítio: http://www.viajesnormandie.net
Seguiu-se o tempo de conhecer novos e velhos companheiros de viagem, receber a papelada, esticar as pernas, comer o resto das migas e dormir na companhia de umas dezenas de ACs.
Como pretendíamos sair cedo, bem cedo, recolhemos e dormimos o que pudemos…

Estou de volta…de Marrocos

Maio 9, 2014

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Vivam!
Fiz nesta Páscoa uma “razia” a Marrocos. Explico que uma “razia” era uma incursão armada dos mouros em terras cristãs. Já percebem agora porque se usa a expressão “foi uma razia” quando se pretende dizer que qualquer coisa correu muito mal…
Bem, a minha razia foi pacífica. Fui em paz, vim em paz.
Marrocos é um país muito interessante do ponto de vista autocaravanístico: bons preços de campings/pernoitas, segurança, gente prestável e simpática, boa comida, preços em conta no geral. E quem souber regatear ou trocar, está no país certo.
A minha/nossa viagem (tive companhia) durou dez dias, com oito etapas:
1- Aveiro- Algeciras; 2- Algeciras (ferry), Tânger Med, Chefchaouen; 3- Chefchaouen – Azrou; 4- Azrou-Merzouga; 5-Merzouga – Ouarzazate; 6-Ouarzazate- Marraquexe; 7- Marraquexe-Arzila-TangerMed (ferry)-Algeciras; 8- Algeciras-Aveiro.
descanso mais prolongado em Merzouga e Marraquexe.
Desta vez privilegiou-se o interior do país por ser a época do ano mais favorável. Da próxima vez (sim, haverá uma próxima, inch’allah) será pelo litoral e um pouco mais a sul.
Total: 3744Km, dos quais dois mil e tal em território marroquino.
Impressões desta viagem serão escritas em breve. Prometo!

A lei seca

Março 17, 2013

24 de Agosto – 17 ª etapa: Campingplatz Linz am- Pichlingersee, Ebelsberg, 4030 Linz, Áustria – Área de serviço de Augsburg , Alemanha (+/- 283Km)

O que são 283km para um autocaravanista? Ora…como a etapa ia ser curta, podíamos relaxar um pouco mais, demorar mais no duche, pequenalmoçar devagar, dar mais atenção à casita.
Passeámos demoradamente pela beira do lago, por um trilho cimentado entre a água e os relvado bem aparado, semeados aqui e ali por bancos de madeira, mesas de piquenique, ou apenas ocupados por toalhas. A manhã estava fresca, era ainda cedo e não havia, por isso e porque tinha chovido de noite, muita gente no lago e suas margens. Sem pressa voltámos ao camping e, porque não havia hora de saída, espreitámos o menu do restaurante. Surpresa: um dos pratos do dia era filetes de peixe com arroz de tomate e salada. 6,90€. Ementa portuguesa do sr. Santos? Quem disse que a Austria é cara?
Os filetes estavam deliciosos, regados a água dos Alpes. Por cima, um café muito bom a 1,90€.
Vamos então até Linz.
Entrámos na cidade a contra-corrente, isto é, subindo o Danúbio e procurando estacionamento. Passada a grande ponte que liga o centro à outra margem, encontrámos o tão almejado estacionamento, próximo do centro. É para ali que nos dirigimos, para a Hauptplatz. Agora sim, o calor aperta, as esplanadas estão cheias e os locais e os turistas aproveitam as sombras. Um gelado veio mesmo a calhar, lambido a caminho da catedral de Linz. Edifício imponente, na hora cheio de freirinhas, fresco e gratuito, exceto o “tesouro” da catedral.
“Perdemo-nos” pelas ruas, fizemos algumas compras, sobretudo prendas para os amigos e voltámos à praça central. Dali atravessámos a ponte Nibelunguenbrücke visitámos o “Cubus”, o cubo, que é um museu de artes e eletrónica. Muito interessante e a não perder. Reparámos então que nessa margem e à vista do museu, um pouco mais abaixo, com acesso pela Wildbergstrasse, há um enorme parque de estacionamento onde todos cabem, incluindo ACs.
Voltámos para rever a Hauptplatz e dali para a AV. O tempo estava a ameaçar trovoada, já caíam umas pingas grossas pelo que levantámos a âncora, à vista do Danúbio, e apontámos a Augsburgo.
O TomTom levou-nos direitinhos à área de serviço/estacionamento, por entre um verdadeiro dilúvio. Chovia, relampejava e não se via nada. Assim, por entre duas ou três dezenas de autocaravanas, descortinámos um lugar mais ou menos largo para nós e, estrategicamente, “reservámos” um lugar aos nossos amigos que estavam em trânsito desde Viena. Olhando à nossa volta estranhámos tanta fartura de lugar naquela ponta da AS. Sem grande admiração descobrimos porquê: ao nosso lado estava uma caravana de ciganos. (Sem comentários…)
Escurecia e os nossos amigos não chegavam…quando chegaram ocuparam o seu lugar, junto ao ciganos. Antecipo já que os ditos ciganos não causaram qualquer problema nem se fizeram notar.
Afinal a AS era paga: 8 euros por noite. Porém como diante da máquina de pagamento automático estava uma grande poça de água, um lago, achámos que era uma boa desculpa para não pagar…e não pagámos.
Um dia longo, alguma condução e a vontade de… bem, em frente, depois da estrada havia uma estação de serviço e mais à frente, um LIDLE, já fechado. A vontade era de beber uma cerveja.
Na estação de serviço escolhemos as cervejas e já com elas sobre o balcão, acontece este diálogo:
-Vieram a pé? -perguntou o caixa.
-Sim! – respondi.
– Então, não posso vender a cerveja. Só vendemos cerveja a quem vem de carro. É uma nova lei. Lamento mas não pode ser.
-!!!??? Como?
-Se viessem de carro, eu podia vender. Assim, não! É a lei!
E pronto, fomos rebuscar no fundo dos frigoríficos e encontrámos um verde fresquinho que serviu muito bem! E que se lixe a lei seca para peões naquele estado alemão!
Mas, vistas bem as coisas, tem lógica: não vender aos peões, evita os “botellón” nas ruas e nos parques e a consequente sujeira, vomitados, garrafas partidas, como infelizmente se vê por cá; como há tolerância zero para os automobilistas, também não vão beber no carro. Portanto, para o cidadão comum pode ser injusto, mas tem uma razão de ser.
Jantámos, conversámos, aproveitámos uma aberta para dar uma volta e ver os vizinhos de ACs. Depois, cama, acompanhados por chuva quase toda a noite.
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Despesas:
almoço camping 17,80€
vários: 20€
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O lago do campimg Linz

O lago do campimg Linz

Hauptplatz - Linz

Hauptplatz – Linz

Catedral de Linz

Catedral de Linz

O cubo: artes e eletrónica

O cubo: artes e eletrónica

sentido de humor austríaco

sentido de humor austríaco

Portugueses no mundo

Março 7, 2013

23 de Agosto – 16 ª etapa: Bratislava – Eslováquia; Campingplatz Linz am- Pichlingersee, Ebelsberg, 4030 Linz, Áustria (+/- 452Km)
Seis horas da manhã. Ainda que a rua onde pernoitamos não tenha grandes ruídos, na verdade é sossegada, dormimos mal. Este fato e por ser já dia claro, leva-nos a tomar a decisão de nos levantarmos e partir de novo para a Hungria, visitar a cidade de Sopron, como tínhamos programado no roteiro inicial. Atravessamos rapidamente Bratislava com a ajuda do TomTom e paramos no posto aduaneiro de Rajka para comprar, outra vez, a vinheta húngara. Aproveitamos o parque de estacionamento para tomar o pequeno-almoço.
Rodamos entre campos de milho e forragens. Mais à frente, nova paragem numa grande área de serviço húngara, com a fronteira austríaca à vista, onde compramos mais uma vinheta, a austríaca.
A abordagem a esta área de serviço foi cuidadosa e morosa: escolhemos com critério o local de paragem e revezámo-nos na permanência no interior da AV. Com efeito, e lamento o sentimento xenófobo que possa suscitar, que não é verdadeiro nem sentido, a área estava pejada de autocarros com “romas” búlgaros e romenos. Havia portanto que estar atento e evitar um episódio menos agradável.
Olhando à volta, contámos cerca de 20 autocarros (+/- 1000 pessoas), uns velhos e outros muito novos, mas sobretudo mulheres, muitas mulheres com as suas saias compridas e coloridas, lenço na cabeça e o inevitável saco de plástico. Onde iriam estas centenas de pessoas? Para a Europa “rica”, sobretudo Itália, França, Inglaterra, Espanha e Portugal, na senda da mendicidade. Trabalho não, que não estão habituados.
Dentro da loja da área de serviço, a confusão é incontrolável: atropelos, empurrões e até gritos. Os funcionários não sabem se hão de vigiar os produtos expostos ou atender os clientes. Pelo que me apercebi era a primeira paragem depois de muitas horas de viagem noturna. Tanta gente ao mesmo tempo cria dificuldades a toda a gente.
De novo nas estradas, agora nacionais, bordejamos o lago Neusiedlersee, na chamada Burgenland, terra de grandes vinhedos bem tratados, bem alinhados e com uvas em fase avançada de maturação. Ao longo da estrada vão-nos chamando a atenção grandes cartazes anunciando adegas e lojas de vinho.
Aproximamo-nos da fronteira húngara, deixando para trás a última localidade austríaca, Klingenbach. Poucos quilómetros depois, a cidade de Sopron.
Li algures que a cidade de Sopron escolheu ser húngara por referendo popular, em 1921. Desconheço a razão da escolha do povo, no rescaldo da I Grande Guerra, mas as caraterísticas da cidade são indubitavelmente austríacas. A cidade perdeu assim o nome de Ödenburg e chamou-se Sopron (de Suprun antigo nome húngaro).
Não foi fácil encontrar um lugar de estacionamento. O centro da cidade encontrava-se pejado de automóveis e só numa rua lateral, já afastada, encontrámos o lugar certo para a “Juliette”. Nessa mesma rua reparámos que o movimento numa loja era frenético, com gente a entrar e sair com caixas de papelão, acompanhados por crianças e adolescentes. Foi fácil saber porquê: eram pais mães que recolhiam numa livraria as caixas com os livros escolares desse ano. As aulas na Hungria começam a 1 de Setembro.
A cidade é muito interessante, sobretudo no centro, perto da Torre de Vigia de Incêncios, a ”Firewatch Tower”, uma construção do séc. XII, profundamente remodelada ao longo dos séculos. Outro motivo de interesse são as ruínas romanas do fórum antigo, bem preservadas. As ruas são largas e quase desertas, muito limpas, com poucas lojas. Porém devemos estar atentos aos arcos e portões de cada edifício. É nos pátios interiores que estão as lojas, os cafés, as esplanadas, os restaurantes, os mercados… Entrámos num desses pátios/corredor, pois dava para outra rua e, no seu interior havia um café/pastelaria, uma frutaria//mercearia, várias lojas de moda, um fotógrafo e… a língua mais falada apareceu-nos o alemão. A cidade é também conhecida como a capital dos dentistas, tal a profusão de clínicas dentárias, muito frequentadas por estrangeiros dada a qualidade dos serviços e os baixos preços.
Depois de percorrido todo o centro e ter provado o espírito da cidade, entrámos num grande hipermercado, fizemos algumas compras, almoçámos e aí vamos de novo na estrada. Destino: St Polten, uma cidade a caminho de Linz. Rolamos pela mesma auto-estrada de há dois anos atrás. O tempo contado assim nos obriga.
Depois dos habituais problemas de estacionamento, ficámos numa zona residencial, de grandes vivendas do princípio do séc. XX, marcadamente Arte Nova, com grandes jardins. Passeámos pelas ruas e praças do centro, até à estação central, e saboreámos um delicioso gelado num banco de rua. Numa vinaria comprámos alguns vinhos austríacos, de preço médio, como convém. De volta à AV, repusemos combustível e retomámos a auto-estrada até ao camping em Pichling(er See), também chamado Camping Linz, na Wienstrasse, a cerca de 11km de Linz.
Na receção do camping fomos amavelmente acolhidos e perguntei, em inglês, por uma vaga, apresentando o Cartão de Cidadão português. O rececionista pegou no BI, mirou, remirou e disse num claro português: “Quando for lá abaixo, tenho que arranjar um destes…”. Surpresa! Fomos recebidos pelo Sr. Santos, português ribatejano, que supervisiona o camping. Um pouco de conversa e aparcámos na célula que nos foi atribuída. O s sanitários eram muito limpos e depois de um banho reparador e uma ceia frugal, passeámos pelo camping mas não tivemos forças para visitar o lago adjacente. Por fim, deitámo-nos ao som de uma chuvinha fraca. Cansados….
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Despesas:
Combustível: 60€ (1,47€ litro)
Vinheta húngara: 11€, uma semana
Vinheta austríaca 12€, uma semana
Estacionamento: 2€

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Ruinas romanas de Sopron

Ruinas romanas de Sopron

Praça de Maria

Praça de Maria

Mobiliário urbano transformável

Mobiliário urbano transformável

Teatro de Sopron

Teatro de Sopron

A rua onde estacionámos e as vivendas arte nova

A rua onde estacionámos e as vivendas arte nova

camping Linz

camping Linz