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Etapas finais de viagem à Polónia 2017

Abril 23, 2017

CEtapa 9, 10/08: Sedzizow Malopolski –Domaradz – Auschwitz – 338km
Pernoita: parque de Auschwitz (privado)- Coordenadas: N50 01’39.88’’ E19 11’ 57.64’’

Acordámos e largámos para as igrejas de madeira.
Primeira: Domaradz- uma desilusão porque estava em reconstrução e o interior era uma carpintaria e um estaleiro. Só o exterior estava de pé! Porém, observámos a técnica de construção, o tipo de travejamento, o corte das madeiras, enfim, foi uma visita técnica. Andámos à vontade…porque não estava ninguém!
Segunda: Rasiecnica ou Rosielna – fechada, deu para tirar umas fotos do exterior.
Terceira: Blizne: fechada, deu para tirar umas fotos do exterior. E pronto, não sendo a frustração total, andou por lá perto. (N49 45′ 04” E21 58′ 37” )
Mudando de assunto: a estradas polacas são razoavelmente policiadas, daí o cuidado de circular nos limites, dentro e fora das localidades. E nós cumprimos…
Porém, quando o estômago é que manda, há erros que cometem…Quero dizer que estando já a “barriga a dar horas”, avistámos um restaurante à beira da estrada e sem pensar muito – não havia trânsito em sentido contrário- mudo de faixa e atravesso um duplo traço contínuo, sem reparar no traço e na polícia que estava no parque do dito restaurante!!
Fui mandado para imediatamente, coisa que fiz, aterrado, a pensar na contraordenação, nos euros a voar muito alto, e sei lá que mais. Saí já com os documentos na mão, cabisbaixo e a ouvir o que me pareceu ser um grande sermão. O agente falou, falou e eu não disse nada. No fim disse-lhe em português “olhe, sr agente, desculpe, vi o restaurante e não reparei no duplo traço contínuo.” O agente olhou para os documentos, não pegou neles, continuou a falar e regressou à carrinha. Bem, pensei, agora é que vai ser. Como nunca mais vinha, fui ter com ele… Com um gesto de enxota moscas mandou-me embora!!!!! Incrédulo, balbuciei um “thank you” … e fui almoçar!!
Confesso que foi a melhor refeição na Polónia -não pelo episódio da polícia- mas porque foi a melhor sopa, a melhor carne assada (jarrete de porco) e sobremesa. Estava fantástico! Tudo moderno: mesas, cadeiras, decoração, mais parecia um restaurante de cidade que da beira da estrada. Para que conste foi na direção Domaradz – Jawornik, Km 11 – 8.25€ por pessoa.
Já agora, a polícia pertencia à Policya Transportu Inspectya, que é mais ou menos a Brigada Fiscal, o que explica talvez a maçada de me multar e o facto de se interessarem apenas pelos camiões que por ali rodam em direção à Ucrânia.
Resto de viagem em direção a Auschwitz e ao parque de estacionamento sem qualquer história, a não ser a chuva que não parava e o tempo frio.
Chegados ao parque pediram-nos 40 zl pelo estacionamento + 20zl por abastecimento e despejos. Mas os serviços não podiam ser no momento, só no dia seguinte. O quê? Depois de muito insistir e dizer que tinha a cassette cheia e que não tinha água limpa, o funcionário telefonou a alguém e apareceu um rapazito que nos facilitou tudo!!
Essa noite fomos informar-nos de tudo sobre a visita ao complexo do campo de concentração combinámos no dia seguinte estar às 7h da manhã na fila dos bilhetes. Choveu toda a noite.

Etapa 10, 11/08: Auschwitz – Olomuc (Rep. Checa) – 238km
Pernoita: Olomuc, parque frente à polícia. Coordenadas: N49 35’ 22.23’’ E17 15’ 21.98’’

“O grande circo”

Levantar cedo e ir para a fila da bilheteira. Tenho 30 pessoas na minha frente. São famílias inteiras, pares…e candongueiros. As bilheteiras abrem às 8h. Começa o grande circo que é o Campo de Concentração de Aushwitz. Ainda a bilheteira não abriu e já os taxistas começam a abordar os candongueiros, a solicitar reservas de bilhetes. Um parece-me familiar. Fixo-me melhor e reconheço um dos funcionários do parque onde temos as ACs. À minha frente um candongueiro compra uma centena de bilhetes numa das caixas. Aliás, eles ocupam as três caixas abertas. As notas caem na caixa a grande velocidade. Sou ultrapassado por outro. Protesto com o caixa em inglês e recebo de volta um “and so?… Bonito…já percebi. Todos lucram… Chega a minha vez e pergunto ao caixa se há mercado negro de bilhetes. Sim, respondeu-me, é normal. Ok, são 8h e 30. A fila já vai longa, os autocarros chegam sem parar, carros e mais carros. Os seguranças já berram para estacionar os carros. Vamos buscar as nossas companheiras e o candongueiro do parque já vende bilhete (inflacionado)+parque= X. Quando regressamos, a confusão já está instalada.
A visita a Auschwitz-Birkenau não é para se descrever, é para se sentir de um modo muito pessoal, por isso não a comento. Direi apenas que os prisioneiros sobreviviam, em média, dois meses, se não fossem logo gaseados à chegada.
O roteiro descrito em frases curtas.
Fila para a entrada.
Revista tal e qual um aeroporto: scanner, abrir as mochilas, revista completa, scanner.
Separação por línguas. Visita em inglês às 9.30. Colagem de um stick por cores.
Chove.
Reunião do grupo de inglês, lá fora, à chuva.
O guia avisa que visita tem que ser encurtada e acelerada devido ao elevado número de visitantes. Protestos do grupo. O guia ignora.
Começa a visita em passo acelerado e eu também acelero na escrita.
“Não parar, circular pela direita, fotos sem flash”, berra o guia nos “headphones”. E vai debitando informação: número de prisioneiros, tratamento, tortura e fuzilamento, prisão por tudo e por nada, bloco disto e daquilo, sempre acelerado. Passamos por outros grupos também acelerados: dos russos, dos polacos, dos judeus, dos franceses, dos inevitáveis asiáticos, do camones, dos italianos, dos….Embarque num autocarro para Birkenau. Vai superlotado, a abarrotar, ótimo para carteiristas. Parece que somos nós, os prisioneiros.
Menos visitantes, mais espaço.
Visita a uma barraca de Birkenau, onde os prisioneiros “viviam” – horror.
Conclusão da visita, fim dos serviços, diz o guia.
Embarque num autocarro para Auschwitz, sem grande confusão.

Impressões pessoais:
-Senti-me prisioneiro de um programa de visita. É por ser agosto e haver muitos visitantes? (Este ano estimam-se 2 milhões de visitantes!! disse o guia.) Gosto de ter o meu tempo.
-Vergonhosa a tolerância à candonga.
-Tratamento frio, com maus modos e rotineiro dos visitantes. Os guias são mais amáveis, mas “metem a cassette”, debitam as informações e seguem em frente.
-Confusão e barulho em todo o lado.
-A maioria dos visitantes vai por curiosidade, “para ver como era…”, é como ir ao zoológico ou à feira. Não ganha consciência do lugar e do que ele representa. Falta a pedagogia do lugar: o como e o porquê.
-Há falta de painéis informativos, filmes de época, maquetes, mapas. É tudo reduzido ao mínimo. Falta um centro de informação, bem documentado ou se se preferir um centro de interpretação. O visitante precisa de informação e …tempo.
-A desculpa de manter o lugar “o mais perto possível da realidade e da História”, não desculpa o desinvestimento visível e a manutenção deficiente.
Saímos de Auschwitz com uma energia negativa enorme. O tempo chuvoso não ajudou.
Passamos a fronteira com a Rep. Checa e comprámos a respetiva vinheta para circulação nas autoestradas num episódio algo caricato que meteu polícia e tudo. Chegada a Olomuc, parqueamento e giro a um centro comercial nas proximidades para cambiar uns euros por coroas. Cear e dormir.

Conclusão: Auschwitz-Birkenau é um marco na história do Homem Moderno, um monumento à desumanidade e à barbárie, um exemplo negativo para reflexão. Transformá-lo num circo e numa máquina de fazer dinheiro, NÃO!

Etapa 11, 12/08: Olomuc (Rep. Checa) – Rozna (Morávia, Rep. Checa) 94 km
Coordenadas: N 49 27’26.13’’ E18 08’ 26.36’’

Vamos então visitar a pé, já que estamos perto centro do centro , a cidade de Olomuc. Passando pela cabine de acesso ao parque, pagámos uma diária 20 coroas, penso, e demos o uma mirada no local onde nos encontrávamos. Parece-nos um mercado abandonado, em madeira, com muitas lojas e bancas, mas agora votada ao abandono e com sinais de vandalismo e ocupação noturna. Provavelmente só mesmo a proximidade da polícia evita cenas piores. De qualquer forma, as ACs estiveram bem e nós dormimos em tranquilidade apesar de algum barulho de tráfego, pois fica na proximidade de uma rua estruturante.
Cidade muito limpa, arejada, com centro histórico, com uma praça central em retângulo muitas esplanadas e um pormenor interessante, bastante comum: um relógio astronómico animado que à hora certa toca uma melodia e saem umas figurinhas que giram e dançam. Claro que se junta um mar de gente e que depois dispersa pelas ruas adjacentes.
Tomámos um comboio turístico (2€ pp) e realizámos o circuito que inclui o jardim da cidade, a basílica de Svati Kopecek , onde descemos à cripta, que nos surpreendeu. Retomámos o “treninno” que nos levou por ruas estreitas na zona da universidade e finalmente ao ponto de partida.
Almoçámos num restaurante de rua por 6€, bem comidos e com a caneca do costume. Levamos a memória de uma cidade antiga e moderna, muito arborizada, agradável e hospitaleira, com gente aparentemente feliz e bem-disposta.
Saímos pelas 17h em direção a Roznov pod Radhosten, atravessando a região da Morávia com os seus campos de milho e vinhedos pois é uma região produtora de vinhos. Não muito longe, umas dezenas de quilómetros é fronteira com a Eslováquia.
Procurámos estacionamento para pernoitar e acertámos num parque público, a pagar. Não pagámos pernoita, por estar no período livre, mas metemos a moeda para a primeira hora do dia seguinte, seguindo o exemplo dos moradores.
Os homens saíram para mais uma caneca, as senhoras ficaram em casa.

Etapa 12, 13/08: Roznov pod Radhosten – Kutna Hora (Rep. Checa) – 257k,
Pernoita: Camping Santa Bárbara – 400czk – +/- 15€ . Coordenadas: N49 57’ 16.28’’ E15 15’ 35.76’’

O objetivo de hoje é visitar o parque/museu das tradições e dos costumes da Morávia e região sudeste da Rep. Checa e depois rumar a Kutna Hora, uma simpática cidade com uma catedral magnifica e edifícios associados, a meio caminho de Pilsen (Plezen).
Mudámos os veículos para os estacionamentos do parque, onde nos arranjaram uns lugares aceitáveis, junto dos autocarros. Comprados os bilhetes, 100czk cada, entrámos no recinto muito arborizado do parque. O parque temático tem duas partes: a que simula uma aldeia típica da Morávia com casas de madeira construídas com troncos sobrepostos ,de acordo com a tradição e uma segunda parte com instalações ligadas às atividades próprias da vida no campo: a adega, o ferrador, o carpinteiro, o moinho, a igreja etc. Uma estrada separa as duas partes. Convém conservar o bilhete. Há visitas guiadas.
Devo dizer que acertámos no dia: decorria um festival de artesanato, de folclore, de comidas e bebidas, pelo que estávamos no nosso meio! E assim percorremos os expositores pelas ruas da aldeia, apreçando e vendo os artesãos trabalhar. Era uma tentação para a bolsa e para os olhos pois as novidades eram muitas. Havia muita música e danças da Morávia e o cheirinho a enchidos, a assados, a queijos deixavam-nos de água na boca. E fomos provando petiscos aqui e ali até almoçarmos pela módica quantia de 135czk (5€) por duas pessoas, com sopa e um prato variado de carnes e enchidos, bem servido. Isto, depois de ter provado umas salsichas, uns queijos fumados, pão, e uma caneca de meio litro. As casas típicas são constituídas por uma grande cozinha/sala no rés-do-chão, onde decorria a maior parte do quotidiano e só subiam ao primeiro quando procuravam o fresco para dormir, pois no inverno ficavam-se pela cozinha onde estava mais quente, dormindo no rebordo do fogão, com largura suficiente para uma pessoa. Só visto. Nos anexos da casa ficavam os estábulos, a celeiro e o palhal.
O complexo vale uma visita pela riqueza do conjunto, pelo repositório de alfaias e ferramentas, pelos utensílios domésticos, o mobiliário, os usos e costumes. Ótimo para crianças e adultos.
Largámos pelas 16 horas (7 horas de visita!), repusemos líquidos e esvaziámos numa estação gasolineira, junto aos supermercados.
Os nossos companheiros de viagem aproveitaram o lugar para retificar uma pequena escorrência de uma roda traseira, com grande espanto dos passantes e seguimos em direção a Kutna Hora, passando ao largo de Brno. Na autoestrada avistámos o Memorial de Austerlitz, a célebre batalha ganha por Napoleão Bonaparte ao império austro-russo, acabando com a Terceira Coligação e abrindo à França a porta da Rússia, que, afinal, lha fechou na cara, começando-se assim a desmoronar o grande sonho de Napoleão.
Chegámos ao camping Santa Bárbara já noite, por culpa de um GPS marado que não se entendia connosco, e, a custo, arranjaram-nos um lugar, inclinado, mas teve que ser. O camping tinha o bar ainda aberto. pelo que…ora saiam duas canecas cá p’ra mesa de fora!! E ficámos um bocado a bebericar e a trocar uns olhares malandros com umas checas até que nos deu o sono. Ná! Já tinham muitos quilómetros!

Etapa 13 – 14/08 Kutna Hora – Pilsen (Plzen) (Rep. Checa) –173km
Pernoita: Autocamp Ostende, Plzen Bolevak Lago – Ostende (Pilsen).

Que dizer de Kutna Hora? Primeiro que é uma cidade simpática, muito limpa e inclinada. O camping fica mesmo na parte alta da cidade. Desta forma, descemos à grande praça Palackého e tomamos um café, mirámos as montras e passemos um pouco. Chamou-nos a atenção um jovem a tocar piano debaixo de umas arcadas. Acabou a peça e levantou-se e foi à sua vida. Percebemos então que o piano estava ali para ser tocado por quem quisesse, livremente. E eu acrescento responsavelmente. Fosse isto em Portugal e eu queria ver: primeiro já estaria desafinado, depois já não teria algumas teclas, depois as criancinhas atiravam-se ao piano e martelavam furiosamente sob o olhar complacente, aprovador e babado dos pais que tudo permitem às suas crias, depois viriam os mais velhos abandalhar ainda mais e depois, finalmente, no dia seguinte o piano teria desaparecido. Enfim, somos o que somos.
O empedrado das ruas dificulta a caminhada mas chegamos com entusiasmo à igreja de Santa Bárbara que visitamos demoradamente. Depois foi a caminhada até à catedral, Catedral de Nossa Senhora em Sedlèc, magnifica no seu neogótico flamejante, passando pelo colégio jesuíta. O conjunto é Património da UNESCO pelo que vale a pena visitar pela sua grandiosidade. Santa Bárbara é, como se sabe, a padroeira dos mineiros. Ora, como houve em Kutna Hora uma importante mina de prata, é essa a razão pela qual a cidade acumulou grandes riquezas e catedral tem o seu nome. Há na cidade um importante Museu da Prata nas imediações da catedral. O vinho da região é ótimo, sobretudo o branco, e vende-se ao copo, junto à catedral. Há cordões de videiras mesmo ao lado formando uma vinha muito bem tratada. Claro que o branco se chama “Santa Bárbara”. E, em agosto, 25 e 26 há ali um importante festival de vinho da Boémia. Deixámos o camping depois de almoçar e pagar 400 coroas e apontámos o GPS para o novo destino o Autocamp Ostende, Plzen Bolevak, lago de Ostende onde chegámos depois de passar ao largo de Praga, cidade que já visitámos duas vezes. Na última estivemos uma semana em Praga com uma saltada a Budapeste, no comboio noturno, com couchette e tudo. A tarde estava quente, a viagem foi boa e conseguimos um bom lugar no camping. Grande camping, com um lago adjacente, muitas sombras, muitas ACs, muitas caravanas, bungalows, muita gente. Instalámo-nos, demos uma volta ao camping, molhámos os pés no lago -não nadámos porque achámos a água fria-, bebemos uma caneca no enorme bar/restaurante, tomámos um grande duche nos balneários e fizemos a janta. Despejos e recargas, converseta e mais uma cerveja no bar e cama.

Etapa 14 – 15/08 Pilsen (Plzen) (Rep. Checa) – Arredores de Nuremberga – +/- 203km
Pernoita: N 49.42311 E 11.10640

Ora levantar e conhecer Pilsen!
Na receção do camping dispensaram-nos bilhetes para o autocarro, deram-nos um mapa da cidade da cidade e lá fomos  à vida. O bus é mesmo à saída do camping e nós, e muito outros “campistas”, embarcámos em mais uma viagem de descoberta. O plano era conhecer o o histórico e fazer horas para a visita à fábrica de cerveja de Pilsen que fabrica várias marcas: Urquell, Radegast, Gambrinus, …. Conforme o gosto dos clientes.
Fizémos um transbordo de bus para tram e passado 20min estávamos no centro, uma grande praça, catedral ao meio e à volta estabelecimentos comerciais, restaurantes, esplanadas serviços do estado, etc. Pareceu-nos que tinha havido festa na véspera, pois estavam a desmontar tendas e barracas de cerveja, talvez um concerto.
Estava um sol maravilhoso, algum calor e foi tempo de admirar arquiteturas, tirar fotos, trocar dinheiro, comprar souvenirs e ver as modas. Enfim fizemos tempo para visitar a famosa fábrica de cerveja. A pé, pois não é muito longe do centro, junto ao rio e no meio do arvoredo fica a fábrica. Passada a receção, há que esperar pela visita em inglês e retirar um bilhete que permite o acesso. As visitas têm número limite de pessoas, pelo que convém estar de olho, pois há muitos “furas” que chegam atrasados e se põem na frente da fila. A visita dura cerca de 2h, percorre os vários setores da fábrica, a pé e de autocarro, sempre com guia e contagens frequentes de visitantes. Das misturas dos grãos, aos lúpulos, aos de fermentação, temperaturas, e processos de filtragem e…eu sei lá que mais, tudo se aprende naquela fábrica. Depois é feita uma visita à parte antiga da fábrica, aos túneis ou caves do género dos do champanhe e finalmente se chega à parte da degustação. É oferecido um grande copo de cerveja a cada visitante (há sempre quem repita) tiradas a 7/9 graus das grandes barricas abertas e onde se vê a espuma da fermentação. Garanto-vos, cerveja assim não tem comparação com a que consumimos engarrafada!!
Almoçámos no restaurante da fábrica, muito bem servido e acessível, com pessoal atento e rápido. O restaurante chama-se “Na spilce”. Preço médio por pessoa ronda as 200 coroas o que dá sensivelmente 7€. Não se pode pedir mais…
Regressámos ao Autocamp de táxi, por cansaço, e pagámos os quatro 175Kr, o que foi uma pechincha…
Feitas as contas do camping, passámos ainda por um supermercado TESCO para umas últimas compras. Abastecemos de gasóleo para gastas as últimas coroas e depois foi estrada até Nuremberga, com um tráfego horroroso de camiões de todo o leste da Europa, alguns abrandamentos, paragens mesmo, pois Alemanha faz obras nas autoestradas durante o verão!!.
O parque de estacionamento de ACs parece ficar numa zona isolada porém não é bem e o acesso ao centro de Nuremberga é por transporte público é possível. Há uma bomba de combustível perto e talvez ali se possam recolher informações. Amanhã começa o regresso, com muitos quilómetros por dia: abastecer, repousar, dormir, conduzir…até chegar.

Etapa 15 – 16/08 – Arredores de Nuremberga – Marsannay-la-Côte +/- 653km
Pernoita:, Marsannay-la-Côte, AS gratuita, N47 16’ 16’’ E4 59’33’’

Percurso na Alemanha pela A6 e A5, paragem em Ettenheim para almoço no parque Aldi. Volta pela localidade para desentorpecer. Pastelaria local com apfelstrudle muiiiiiiito bom. Café a 2€! Combustível a 1.03€.
Depois França pela A36, A39, e, finalmente nos arredores de Dijon a Área de Serviço.
Dormida tranquila, pois AS fica nas traseiras do pavilhão desportivo e limitada por um muro particular. Penso que com veículos de maior gabarito, o estacionamento é complicado.

Etapa 16 – 17/08 – Marsannay-la-Côte – Gradignan, rotunda do Cours du Général Charles de Gaulle/ rue de Canteloup/ +ou- 669km – N44 45´ 53.41´´ O0 37’ 06.47’’
Pernoita: livre

Saída de Marsannay e autoestrada sempre até ao camping Beau Soleil em Gradignan, o mesmo onde permoitámos quen do iniciámos esta viagem. Infelizmente desta vez não tínhamos lugar. A senhora lamentou não termos telefonado a reservar lugar. Daí que a solução foi procurar um lugar BTS (Bonito, Tranquilo e Seguro). Encontrámo-lo um quilómetro mais acima no lugar de Cayac (ver acima) em frente ao Priorado de Cayac, que é, simultaneamente, albergue de peregrinos de Santiago. Trata-se dum parque sossegado, arborizado e pouco barulhento. Acesso pela rotunda. Noite tranquila.

Etapa 17 – 18/08 -Gradignan – Burgos km – 495 km
Pernoita: Burgos, parque do Centro de Saúde. – N42 20’ 67’’ – O3 41’ 55’’

Autoestrada sem história, exceto um grande engarrafamento em Bordéus e outro em Irun com 11km de extensão, quase todos de emigrantes portugueses. Passámos por Bayonne e resolvemos parar e ver a cidade por onde sempre passámos mas nunca parámos.
Arranjado um lugar a pagar, estacionámos e visitamos o centro da cidade, as zonas pedonais as ruas comerciais, a catedral, o mercado transformado em mega-restaurante. Enfim, uma paragem breve, duas horas mas deu para ter uma impressão muito positiva da cidade por onde se passa mas quase nunca se para.
Decidimos também visitar Hendaia e conhecer a fronteira que na década de 60 tanto medo metia ao portuguese que arriscavam o salto para França. Que grande confusão onde nos fomos meter! Se na AE havia engarrafamento imagine-se em Hendaia, atravessar a cidade foi uma aventura…já não sabíamos se estávamos em Espanha se em França. Má ideia! Perdemo-nos num dos nós da autoestrada e tivemos que ir quase até Bilbao. Corrigimos rota e saímos perto de Vitória, andando para trás. Chegada a Burgos de noite, cerca da 20.30.
Passeio noturno pela cidade. Estava uma noite, própria para conversa, uns copos, enfim, relaxe. Meto-me à conversa com um AC italiano, de cerca de 80 anos, que sozinho na sua Hymer dos anos 80, vinha também para Portugal, com um mapa desatualizado e sem qualquer referência de ASAs. Ofereci-lhe um mapa atual e o dossiê das áreas do CampingCarPortugal. Era um professor reformado, recentemente viúvo, que perdeu a companheira de viagem mas não a vontade de viajar e, em sua homenagem continuava por essa Europa fora. “Ela não haveria de gostar que eu parasse. E parar porquê? Sinto-me bem e tenho ainda tanto para ver”, disse. Comovente. Desejo-lhe que ande por aí por muitos e bons anos.
Dormida tranquila.

Etapa 18 – 19/08 – Burgos – Aveiro – 547km

Saímos cedo. Não gostamos de atrapalhar quem recorra ao centro de saúde e tenha necessidade de estacionar.
Autoestrada até Simancas, onde decidimos parar para visitar o Arquivo Nacional de Espanha, logo ali ao lado da AE. Foi por ordem de Filipe II que o Arquivo foi construído, descentralizando da hegemonia de Madrid. Curiosamente tinha em exibição uma exposição sobre fortalezas portuguesas, mapas e plantas, das colónias ultramarinas durante o domínio filipino. Filipe II era um rei metódico, muito moderno em 1580. Exigia faturas de tudo, contas detalhadas, relatórios pormenorizados e guardava tudo, arquivava tudo. Daí ter criado este arquivo em Simancas quando a corte esteve temporariamente em Valhadolide. Muito interessante esta visita que recomendo vivamente. Demos uma volta pela povoação, ficámos a conhecer o episódio das mulheres de Simancas que deu origem ao topónimo -Si (assi) mancas las quieres, (assi) mancas las tienes), comprámos pão fresquinho numa das padarias e continuámos viagem. Nova paragem em Salamanca para desentorpecer e outra em Fuentes de Oñoro. Chegada a Aveiro pelas 17.30. Cansados, mas felizes. Correu tudo bem, sem grandes percalços. E chegámos um dia antes do previsto!! Não faz mal, é mais um dia que gozamos de praia e da companhia da família e amigos.
Notas:

Km percorridos 7542 -na realidade acho que foram 7714km; não sei onde perdi a diferença!!

Coordenadas GPS dos estacionamento, parques pernoitas, etc, utilizei as do www.campingcar-infos.com

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Polónia 2016 – etapas 8a/9

Março 13, 2017

Etapa 8, 8/08: Cracóvia – 0 km
Parque 24h . N 50.05842; E 19.95487

Hoje fizemos uma incursão pelo bairro judeu de Kazimierz onde se situava o gueto de Cracóvia. Ali visitámos uma sinagoga (das três existentes), o cemitério judaico e percorremos demoradamente o bairro que mantém a sua traça característica. Em seguida fomos ver a fábrica de Schindler ( do filme A lista de Schindler). A fábrica existe e mantém alguns artefactos da fábrica original.

Portão da fábrica de Schindler

No entanto no seu interior é o Museu da Ocupação de Cracóvia durante a II Guerra Mundial (1939-1945). O sofrimento da cidade naquele período é aqui bem evidente e documentado. Tal como Varsóvia, Cracóvia foi também uma cidade mártir. É ver para crer… Ainda que o tempo tenha esbatido a crueza dos factos não apagou a memória coletiva como infelizmente aconteceu em Portugal com a tenebrosa atuação da PIDE.
O museu é imperdível e história pessoal de Schindler também, tal como é contada na sala que lhe é dedicada. Regressámos de táxi até ao Castelo Wavel que, por ser já tarde estava encerrado na parte museológica, mas não no resto, pelo que, demorámo-nos um pouco nas vistas sobre a cidade e o rio Vístula e percorremos novamente o Caminho Real, passando pela casa onde se hospedou João Paulo II, então bispo de Cracóvia. O resto da tarde até à noite decorreu passeando pela cidade, admirando as pessoas, os artistas de rua, o movimento, os pormenores arquitetónicos, a onda turística…

Interior do castelo de Cracóvia


Onde se come mais barato? Nas antigas cantinas sociais hoje convertidas em restaurantes low cost já que a sua função social se esbateu. Uma fica na rua que vai do castelo para o centro e é muito frequentada por gente jovem, turistas e povo em geral. É só procurar…

Etapa 9, 9/08: Cracóvia – minas de sal de Welitza – Sedziszow Malopolski – 157 km
Pernoita: N 50 04’ 06’’ E21 41’ 01’’

Tempo de sair do parque, despedir-nos do guarda de serviço e notar que estava uma AC portuguesa aparcada. Eia!!
Passamos novamente pelo mercado, por uma casa de câmbios e saímos definitivamente para as minas de sal pelas 11h. São apenas 12km pelo que os motores nem aqueceram. Chegada e parqueamento num dos vastos parques (20 zl). Depois…drama! O vidro da porta do meu lado não subia. Um arranhar medonho e mais nada!!
Bom, tivemos que desmontar a porta, chegar ao vidro, puxá-lo para cima e fixá-lo definitivamente no cimo …com o cabo da vassoura. Claro qua até ao fim da viagem não abrirá mais, mas paciência.
E resolvido este “drama” chegou-se a hora de ir ver as minas de sal. Seguimos uma indicação manhosa de “bilheteira”, aos esses, pouco objetiva e só mesmo porque estava muita gente é que descortinamos a entrada “verdadeira” do complexo mineiro. Com um calor que derretia fomos para fila, que já ia em 50m e “tudo a monte”, quando avisaram que “nacionais, para esquerda, estrangeiros para direita. E assim, em grupos de 30 fomos entrando a conta-gotas. Esperámos pelo turno da visita em Inglês e entrámos descendo umas escadarias intermináveis mais ou menos animados…
A entrada custou-nos 84zl por pessoa (21€) mas valeu a pena. A guia foi explicativa, respondeu às questões que lhe colocámos, simpática quanto bastou. Fartamo-nos de andar por túneis e mais túneis!!!

Salão principal da mina de sal


Houve uma pausa no bar, claro, que tudo é negócio, e outra pausa nas lojas, e outra pausa à espera do elevador que nos levaria à superfície, e outra pausa para mais lojas para que ainda não comprou nada e tem mais uma chance e …finalmente a saída! Três horas dura a visita, mas havia demasiada gente e vimos tudo a correr, sempre sob o olhar atento da guia, não fosse alguém perder-se ou alinhar com outro grupo. E sempre a contar-nos…1,2…30!
Saímos pelas 17.50 em direção a Tornow e Rzeszow. O objetivo: visitar as igrejas de madeira da região de Rzeszov. No entanto, quedámo-nos por Sedziszow/Malopolski para pernoitar pois avizinhava-se uma trovoada que prometia ser violenta.
Já noite cerrada, encontrámos um parque aberto atrás de uma igreja e foi mesmo ali que aguentámos a trovoada medonha, com chuva a potes e trovões contínuos. Passou e tivemos uma noite tranquila, mas fresca, com aguaceiros intermitentes. Coordenadas: N50o 04’ 06’’ E21o 41’01’’

Polónia 2016

Março 12, 2017

Etapa 7, 6/08: Varsóvia – Lodz – Santuário de Czestochowa – 260Km
Parque do Santuário: N 50.81227; E 19.09465

Saímos do camping Wok a morrinhar, mudámos e carregámos águas, fizemos umas compras já a chover e foi assim durante a viagem até Lodz. Escolhemos um parque central, vigiado perto da catedral e de uma fábrica de têxteis já desativada e transformada em museu e galeria de exposições. Diga-se que Lodz é a cidade mais arborizada da Europa com mais de uma dezena de parques públicos e todos enormes. Não há beco nem canto ou mesmo espaço que não tenha árvores. É uma cidade plana, com pouco horizonte, pelo que não determinámos exatamente o centro, nem penso que haja. Acrescenta-se que à boa maneira soviética e depois da reconstrução a cidade ficou ordenada em ruas perpendiculares face aos eixos principais o que torna mais extensa. Com 770 000 habitantes é a 3ª cidade da Polónia. Foi uma comédia para explicar ao guarda que só estacionaríamos uma horas: três horas. Nem gestos, nem desenhos, debitava apenas polaco até que me lembrei das palavras mágicas: tri godziny- três horas. Depois apercebi-me que os lugares eram marcados. Outra confusão…e o homem desistiu com um gesto que significava “que se lixe, estacionem em qualquer lado!” E foi para a cabine ver o programa de televisão que lhe tínhamos interrompido.
Porque era já ali, vimos catedral – nada de especial- e fomos ao museu dos têxteis. Imaginem o algodão e a lã vindos das repúblicas soviéticas ou dos países comunistas e que chegava ali em rama. Todo o processo de tratamento até à estampagem dos tecidos era feito ali. Havia máquinas de cardar, fiar, tecer, tinturaria e estampagem, que não vimos, mas tudo era processado ali.
No andar superior havia uma exposição de criadores, artistas têxteis, sobre novas utilizações, técnicas, materiais do mundo dos tecidos. Muito interessantes. Também uma exposição sobre a evolução da moda no último século. Muito completa.
Chegámos a Czestchowa a meio da tarde e procurámos estacionamento. O primeiro não nos agradou apesar de ser uma referência que levava de uma consulta na net e tentámos chegar-nos um pouco mais ao santuário. Entrámos no gigantesco parque do santuário -pagamento à entrada com recibo- e fomos percorrendo as diferentes secções por entre centenas de carros, autocarros e do habitual movimento de entrada/saída. Escolhemos finalmente um terreno plano, relvado, mais sossegado e distante da entrada na companhia afastada de mais três ACs. Quando anoitecesse, ia ser um sossego. E foi…
Entretanto e porque era cedo, fomos visitar um dos santuários mais famosos da Europa e dedicados a Maria, mãe de Jesus. Um santuário mariano, pois. Fátima, Lourdes, Medjugorje, serão grandes, mas este é impressionante! Governado pelos Frades Paulistas, impressiona pelo número de fiéis ou peregrinos de toda, mas toda, a Europa. No entanto, naturalmente, são os polacos que mais a visitam. E vêm de toda a Polónia como tive ocasião de reparar. E fazem-no com um fervor, uma adoração, uma fé que impressiona.
Nessa tarde não conseguimos chegar à capela de N. Srª. Impossível furar, a muralha de fiéis era compacta. Era hora de missa, mas mesmo que não fosse era demasiada gente, o ambiente era excessivamente quente, o ar pesado. Na basílica, a mesma coisa, pois as missas são contínuas: sai um padre entra outro, ora na capela, ora na basílica, pelo que há sempre gente. O horário é, no verão, das 5h às 21h! Voltaríamos pelas 7 da manhã. Aproveitámos para conhecer o perímetro do santuário.
Colado ao estacionamento há um camping e um sem número de casas de apoio aos peregrinos, alguns restaurantes e bistrôs. O camping abarrotava e estava completo. Estávamos bem onde estávamos! Noite tranquila.
Na manhã seguinte, lá estávamos às 7h. Na basílica e na capela havia menos gentes mas, mesmo assim, bastantes fiéis. Circulámos com facilidade, assistimos a uma missa, comprámos recuerdos, tirámos umas fotos, demos uma volta por todo o complexo e fomos ao pequeno almoço e saímos. Entretanto, como era domingo, adivinhava-se uma grande enchente pelo que saímos quanto antes em direção a Cracóvia para uma estada de dois dias.

Etapa 8, 7/08: Santuário de Czestochowa – Cracóvia – 142km
Parque 24h . N 50.05842; E 19.95487

Viagem curta e rápida até Cracóvia, à Rua Grzegórzeka, 20, onde um parque de estacionamento vigiado 24h cobra 40zl ao dia e 10 à noite, pelo que, pelos dois dias, nos cobrou 100zl (24€ e…).
Cracóvia é mais airosa, mais cosmopolita, descontraída, europeia e de que se gosta logo à primeira visita. 850 mil habitantes fazem dela a segunda cidade da Polónia. Tem uma universidade famosa com variadas faculdades, pelo que grande parte da população é jovem e cosmopolita.
Começamos por um mercado de rua, logo ali, e deu para sentir o pulso da cidade. Ainda que os mercados de rua sejam mais populares – os ricos preferem grande centros comerciais e hipermercados- dá para ter uma noção dos preços e apreciar os produtos sazonais e como as pessoas os consomem. O produto mais caro, nas frutas, era as laranjas e os limões: cerca de 4€ o quilo! No resto, preços muito acessíveis (para nós).
Perto do centro fomos “convidados” dar uma volta de “tuktuk” pela cidade por 40€, os quatro, a volta maior. Aceitámos e foi uma surpresa. A cidade é verdadeiramente bonita e vimos o essencial da cidade que percorreríamos a pé, fazendo o mesmo trajeto. Perguntámos por um restaurante e indicou-nos o Chlopskie Jadlo, na rua Swietego Jana (São João) onde nos regalámos com um pouco de tudo da comida polaca, aqui à base de carnes grelhadas. Qualidade/preço muito bons. O restaurante tem como placa na parede uma galinha vermelha e situa-se numa das ruas que desagua na Praça em frente ao Mercado dos Tecidos. Não há que enganar!
Abreviando, esse dia visitámos todo o centro incluindo o Mercado dos Tecidos, que não é mais que um grande mercado de artesanato muito urbano e “batido”, isto é: âmbar e mais âmbar e um bricabraque de coisas que se encontram em todo o lado. Quem quiser pode dar uma voltinha de coche que os há para todos os gostos. Todo o entorno da grande praça é magnífico com destaque para a Igreja de Santa Maria. O interior é lindíssimo. Numa das torres toca de hora a hora um trompete. A música interrompe-se bruscamente para homenagear o tocador que estando de atalaia deu o alerta de ataque dos otomanos quando um atirador lhe atravessou a garganta com uma seta.

Polónia 2016

Março 11, 2017

Etapa 5, 3/08: Poznan – Varsóvia – 310km
Camping Wok: N 52.17798; O 21.14727

Bem cedo, a visitar Poznam!
Céu pouco nublado, fresco da manhã e andar cerca de 400m para apanhar o bus 8 para o centro da cidade. Primeiro, decifrar a máquina de venda de bilhetes. Uma vez decifrada, largou 4 bilhetes a 3 zlotis cada e… avante até ao centro. Interessante o primeiro rinek (centro)com as suas casa coloridas, neoclássicas, barrocas, arte-nova, mas sobretudo muitas cores, painéis pintados, tromp’oeil, decorações florais. À volta do rinek vêem-se edifício mais austeros, uns mais modernos, como museus e galerias de arte ou edifícios oficiais construídos no fim da guerra. Um pouco de tudo na mistura do antigo com o moderno. Mas o que mais surpreende é ver tanta juventude. Poznan tem várias faculdades e uma população universitária numerosa que, apesar de estar em férias, frequenta muitos cursos de verão, sobretudo alunos estrangeiros. À hora do almoço recolhemos a um pequeno takeaway onde experimentámos os famosos pierogi. Eu fique-me por um naco de carne estufado, com puré, excelente, suculento, que, com uma bebida e um supercafé, à turca, custou a módica quantia de 20zl, ou seja, 5 euros! Curioso o facto de os clientes arrumarem a louça e irem buscar um pano húmido e limpar a mesa. Ora, como em Roma sê romano, queríamos arrumar a louça e limpar a mesa, mas a patroa não deixou. Cortesia para turistas!!
Uma breve visita a um mercado de rua para compras ligeiras e vai de partir à descoberta das cabras, animal de bronze espalhado por toda a cidade, símbolo da cidade, que certa lenda imortalizou. Abstenho-me de contar a lenda das cabras de Poznan. Deixo para vocês descobrirem…
Claro que tirámos umas fotos com as chibas, cabras ou bodes, bem simpáticas e a ensaiar umas marradas e dali fomos até à catedral velha, reconstruída depois da guerra e topar com uma das milhentas estátuas de João Paulo II que se veem por todo o país.
De volta ao camping pelo bus 8, pegámos nas viaturas e tomámos o caminho de Varsóvia, pela AE2, onde chegámos ao camping Wok. Repete-se a cena: “Estamos cheios, mas deem uma volta e vejam se encontram lugar”. Havia lugar depois de uns simpáticos jovens holandeses prescindirem do estendal e deslocarem a “Westefalia” e de uma família italiana se arrumar convenientemente. Muito simpáticos todos: aos holandeses dei uma garrafa de vinho verde e aos italianos uma garrafa de tinto que retribuíram com outra, engarrafada por eles! Foi um “troca-tintos”!
Feitas as formalidades do camping e recolhidas as informações de como chegar a Varsóvia, fomos refrescar-nos no bar com uma cerveja bem fria. Durante uns tempos foram chegando outras ACs e, que eu saiba, todas lá ficaram! Houve sempre lugar para mais uma!

Etapa 6, 4/08: Varsóvia –0km

Em casa, hoje é um dia feliz! A nossa filha mais nova faz anos! Vai jantar com amigos que certamente rodearão da atenção que merece.
Nós, de visita a Varsóvia, tomaremos o autocarro 146 (paragem Romantyczna) em direção ao estádio nacional (paragem Ronda Waszyngtona) e ali um transbordo (o 7 ou o 9) que sobe a grande avenida central e, por alturas do Museu Nacional (Muzeum Narodowe), na rotunda da palmeira, como é conhecida, descermos para o grande passeio pedestre pela rua Nowi Swiat que nos levará ao rynek ou seja à cidade velha, o centro histórico. Os primeiros bilhetes tiveram que ser comprados no camping, mas para regressar temos que os comprar numa das máquinas de venda automática.
Iniciámos o percurso passando pela praça dedicada a Copérnico, pela Universidade, pelo Palácio Presidencial e finalmente a Cidade Velha (starego miasta). Ali a multidão cobre por inteiro a praça central. Abundam os cafés, os restaurantes, as esplanadas e uma ou outra loja comercial, sobretudo de venda de âmbar, escapa à restauração. A basílica ou catedral impõe-se aos restantes edifícios.

Deambulámos por ali, fotografando, e passámos pelas portas da barbacã e pelas redondezas. Refira-se que Varsóvia e toda a Polónia é o país das igrejas e o povo polaco extremamente religioso. Natural, pois, a profusão de igrejas dos mais variados santos e santas, ordens e instituições religiosas. Chegava-se a hora do almoço e escolhemos um pequeno restaurante fora da praça e das muralhas e comemos muito bem: uns deliciosos pierogi que nos disseram ser os melhores de Varsóvia. Eu fiquei-me por uma excelente carne assada e meio litro de cerveja porque não há copos mais pequenos ou, se há, são para gente fraca! Mais tarde visitámos a casa onde viveu e cresceu Madame Curie (nome polaco-Marya Sklodowska) uma visita interessante que recorda a grande mulher e investigadora, propulsora da radiologia moderna. Uma volta no comboio turístico deu-nos uma ideia geral da zona central e ribeirinha, passando por locais interessantes e cheios de história. Aconselha-se. Como o dia era dedicado ao centro da cidade andámos por algumas ruas laterais e tentado decifrar tantas placas nas paredes com nomes, datas e flores no chão. São placas que evocam cidadãos polacos fuzilados naquele local pelos alemães (e russos). Ali 10, além 20, 40, 70…uma loucura. Amanhã iremos visitar o centro de interpretação da ocupação da cidade de 1939 a 45, a revolta de Varsóvia e a “libertação” pelos russos. Regresso pelo mesmo percurso e resto da noite no camping.
Uma grande agitação no centro levou-nos a perguntar o que se passava. Nada, afinal era só a cantora Rihanna que chegava determinado hotel e os fãs faziam uma barreira de telemóveis apontados para a porta lateral (do hotel). E a polícia a tomar conta daquilo.

Etapa 6, 5/08: Varsóvia –0km

O programa de hoje inclui o centro de interpretação da ocupação da cidade de 1939 a 45, a revolta de Varsóvia e a “libertação” pelos russos, uma incursão por uma bolas de Berlim especiais, descobrir o que resta do muro do gueto de Varsóvia e o Museu Chopin. Nada nau!
Com os transportes do costume mais umas caminhadas chegamos ao centro de Interpretação já ia a manhã adiantada. Esperava-nos uma fila enorme para compra dos bilhetes. Com paciência conseguimos os bilhetes e entrámos. O Centro com vários pisos (4) é multimédia: ouvem-se sons, vêem-se projeções, tem painéis escritos, muitas fotografias, objetos do quotidiano, armas, testemunhos de sobreviventes, a resistência, as execuções sumárias, o gueto, os bombardeamentos, a sobrevivência, os túneis e esgotos de Varsóvia, a réplica de um avião (metade), enfim, a história cronológica e temática do horror por que passou a cidade e a população. Passam-se ali horas… e no fim sai-se com algum alívio e a pensar na estupidez humana e desumana.
Foi pena estar sobrelotado. É uma visita que pede demora na leitura dos textos, na visualização das imagens, mas com gente a falar alto, a posar para a fotografia, a empurrar…não é possível.
Já cansados, fomos provar uma das delícias locais: uma bolas de Berlim, muito boas mesmo, com recheio de marmelada, doce de ameixa ou simples. Chamam-se pączek, lê-se “pontchek”. E porque a fadiga era muita, fomos de táxi! Fica na rua Górczewska, 15.E tem a particularidade de nem sempre haver as ditas e haver loooooongas filas na 3ª feira de carnaval. Quando há, põem um banco na rua, quando não há, retiram-no. Felizmente tinham o banco na rua. Partimos depois à descoberta do que resta do muro do gueto. Encontrámo-lo no recreio de uma escola, cerca de 15 metros de muro, com uma placa evocativa. Lembrará talvez aos mais novos que a liberdade que têm hoje custou muito caro aos seus avós e familiares.
O dia corria quente e nublado a adivinhar trovoada. Tomámos mais uns autocarros e dirigimo-nos à rua Tamka para visitar o Museu Chopin (Muzeum Fryderyka Chopina). É um palácio oitocentista que alberga uma vasta coleção de memorabilia de Chopin, disposto em três andares. É possível ouvir obras integrais e saber um pouco mais da vida do pianista-compositor. Havia várias referências a Maria João Pires como uma das melhores intérpretes dos “Noturnos” de Chopin. Na altura, visitava o museu um grupo de jovens chineses (pianistas, estudantes de música?) que ia umas salas à nossa frente. A meio da visita deixámos de os ver. Estranhámos quando alguns se deixaram adormecer, de auscultadores, sobre as mesas de audição. Era vê-los a cabecear e deixar-se escorregar lentamente para os braços de Morfeu (divindade grega que personifica o sono). Surpresa foi encontrá-los no piso de baixo, na sala de audições…Todos a dormir, cada um para seu lado! Apenas uma rapariga acordada, que sorria, envergonhada. Saímos e lá fora mais dois, “arrochados” nas mesas da esplanada sob o olhar complacente do guia ou professor. Coisas do jetlag, coitados.
Voltámos à rua Nowi Swiat para escolher um restaurante e jantar. Ficámo-nos pelo Specjaly Regionalne, mesas no passeio, empregados(as) simpáticos e pratos que prometiam…a preços portugueses (cerca de 12€ por pessoa). Entretanto, estalou a trovoada…e que trovoada! Relâmpagos e trovões bem por cima de nós, chuva intensa, diluviana, que rapidamente ensopou a rua, mesas, cadeiras, clientes… Uma debandada geral! Felizmente para nós, a mesa era razoavelmente resguardada pelo qua acabámos salpicados mas não ensopados; daí não termos necessidade de nos recolher no interior do restaurante. A trovoada foi como veio e ainda apanhámos uma réstia de sol…
De regresso ao camping, na mudança de autocarro, ainda tivemos tempo para ouvir nitidamente a abertura do concerto da Rhianna no estádio nacional. Acho que o tema foi “Stay”.
Fotos:

Polónia 2016

Março 8, 2017

Etapa 2, 31/07: Bordéus (camping Beau Soleil, Gradignan) – Troyes (centro) 678km –
Troyes (centro) : N 48.291613; E 4.074748

Etapa de ligação sem história. Saída pelas 8h com trânsito lento nas radiais de Bordéus; depois fluido pelas A10, A19 até Troyes. Chegada e parqueamento no centro da cidade, Av. Pierre Brossolette, Passage de l’Esplanade de Belgique, num vasto espaço. Arrumadinhos contra o muro das traseiras do Comissariat de Police, tivemos uma noite tranquila. Antes, uma visita ao centro histórico de Troyes, uma cidade simpática, com muito património histórico, muitas casas de estilo alsaciano. Jantar de pizza numa esplanada da Rue Champeaux enquanto esperávamos pelos nossos amigos algarvios L.&L., o casal que haveria de nos acompanhar na viagem.
Saudações, conversa em dia, passeio pela cidade e….cama que se faz tarde!

Cidade de Troyes

Cidade de Troyes

Etapa 3, 1/08: Troyes (centro) – Bayreuth (Lohengrim Therme –
(Alemanha) – 750 km – Bayreuth (Lohengrim Therme): N 49.9411; E 11.63437

Mais uma etapa sem história…dia cinzento, camiões aos molhos em fila compacta.
Chegada às AS de Lohengrim Therme ao cair da noite. A área fica situada numa zona termal, com hotel e instalações termais que nos pareceram para uma clientela endinheirada, mas um pouco desviada do centro da localidade. Área cheia com ACs desordenadas (cabiam o dobro). Jantar ligeiro de sopa e petiscos algarvios. Passeio de reconhecimento da AS: 1 euro dá apenas para 50l de água; a eletricidade, 1 euro cada seis horas; o despejo de águas cinzentas é gratuito, mas despejar a cassete custa outro euro. A tampa do despejo da cassete, que destranca automaticamente quando cai a moeda, não funcionava,pelo que, não havia despejo de águas negras para desespero de muita gente. ACs de muitas nacionalidades, sobretudo italianas a caminho de Berlim, dos países nórdicos e  bálticos. Também muitos franceses , alguns holandeses e alemães.

Etapa 4, 2/08: Bayreuth (Lohengrim Therme) (Alemanha) – Poznan – 591km
Camping Malta: N 52.40331: E 16.98454

Partida às 8.30h. Direção: Berlim, onde passaríamos 2 dias. Chuva intensa e contínua. Rolamos com luzes acesas e muita atenção. Tráfego denso, apesar das condições e obras na via. Pequenas demoras… À aproximação de Berlim, com tamanha chuva e mau tempo perguntámo-nos o que iriamos lá fazer naquelas condições. Analisadas as previsões meteorológicas, não havia melhorias nos próximos dias pelo que decidimos saltar Berlim e continuar. Não fazia sentido andar à chuva, molhados. Seria um desprazer. Um aguaceiro ainda vai…mas dois dias de chuva, não! Ainda pensámos em ir para norte, até Gdansk, já na Polónia e descer por Torún, mas as previsões eram igualmente más.
Assim, atravessámos a fronteira em Frankfurt am der Oder em direção a Poznan. Parámos na 1ª estação de serviço da Polónia para reabastecer e fomos de imediato “assaltados” por ciganos romenos ou romas que nos pretendia vender perfumes, depois relógios e depois iPhones. Repito o depois porque eram verdadeiramente chatos, não aceitavam um NÃO firme. Finamente cansaram-se e devem ter regressado à Alemanha porque nunca mais, na Polónia, fomos abordados por romas a tentar vender o que fosse. Sabemos que a Polónia não aceita migrantes nem refugiados. Ao contrário, há milhares de emigrantes polacos na Inglaterra, Alemanha, Holanda e países nórdicos. A prova disso é grande número de carros com matrícula inglesa e dos países que mencionei a circular na Polónia e a casa novas em construção por todo o país. Também eles estão de férias.
Chegámos a Poznan, ao camping-hotel Malta e ainda chovia. Uma vez mais, topámos com um letreiro “NO vacancies – Full”. Insistimos em dar uma volta. A rececionista dizia que sim, o guarda dizia que não. Deixámo-los a discutir fomos dar a volta. O espaço que nos indicaram estava mal arrumado. Com dois “chega p’ra lá”, educados, a uma AC e uma AV  arranjámos lugar para os dois, sem apertos. E pronto, com ar de vitória, fomos comunicar que estávamos estacionados…e pagar. Em seguida, fizémos o reconhecimento do camping e descobrimos que também era hotel e ainda tinha bungalows e espaço para tendas! Enorme e à beira de um lago com dimensões olímpicas (tinha pistas de canoagem marcadas), não fosse a chuva e seria (era) um lugar esplêndido. Entretanto a borrasca parou e abriu-se uma nesga de céu azul. Bom sinal! Ceámos, demos um pequeno passeio e recolhemos, pois, no dia seguinte, queríamos muito ir visitar Poznan e começar o nosso passeio pela Polónia! Entretanto muitas ACs ficaram fora do parque, estreitando de alguma forma a entrada/saída.

Camping Malta

Camping Malta – o outro lado do lago

Polónia 2017

Março 7, 2017

Viagem Portugal-Polónia/Rep. Checa

29 de julho a 20 de Agosto

Quero iniciar este relato com algumas considerações gerais sobre os países visitados. Dispensam-se os países de passagem como a Espanha, a França e a Alemanha, por serem apenas etapas obrigatórias.

Também não escreverei muito sobre as cidades e os monumentos. A Wikipédia encarrega-se disso.

Sobre a Polónia direi que foi um país que me surpreendeu positivamente, muito positivamente, pois denota uma grande mudança económica ao nível das infraestruturas e da construção, da restauração, do pequeno comércio e do mercado grossista. Por todos os lados estão presentes as marcas e etiquetas europeias e não só, do vestuário ao calçado, da alimentação ao automóvel. Também me pareceu que as iniciativas ao nível do turismo vão ser influenciadas por esta mudança, pelo que se aconselha a ir nos próximos tempos antes que os preços aumentem como aconteceu em Praga, na vizinha Rep. Checa. O povo polaco é ordeiro e cooperante quanto baste. Não são muito efusivos, mas também não são fechados e reservados salvo no interior onde não estão habituados aos turistas. De qualquer modo, atribuo isso ao facto de não falarem muito o inglês, sobretudo os mais velhos; no entanto, os mais novos, mais escolarizados, têm até prazer nisso dando longas explicações a uma simples pergunta.

Em qualquer lugar se nota uma grande preocupação com o asseio: ruas bem varridas, sebes bem aparadas, a frente das casas com as bermas rapadas, relvados cuidados, havendo até um certo brio. Sendo um país de cerveja barata, não vi ninguém bêbado, nem a urinar nas esquinas, antes uma profusão de WCs nas grandes cidades, normalmente pagos, mas de uma higiene irrepreensível pois o que não são automáticos têm um(a) zelador(a).

Sobre o estado das estradas nota-se que houve uma enorme evolução: as principais vias que percorremos, autoestradas, nacionais e regionais, tinham um piso excelente, bem betonado e silencioso, com sinalização suficiente e adequada. Existem inúmeros radares pelo que se aconselha o respeito pelos limites de velocidade. Também não vi comportamentos agressivos ao volante.

O preço do combustível é ligeiramente inferior ao de cá, havendo que prestar atenção às estações de serviço, pois os preços variam bastante: de 3.96 a 4.20 zlotis, isto é, menos de 1 euro e um euro.

Sobre a alimentação direi que é possível fazer uma refeição por 6 euros num restaurante médio; os produtos de supermercado têm um preço mais baixos do que cá, pelo que basta levar géneros para meia dúzia de dias e depois ir a um super.

Sobre a Rep. Checa direi que está uns furos abaixo da Polónia, pelo que tudo o que disse daquela serve em menor qualidade para esta.

Sendo mais justo, há coisas que se equivalem: a restauração (menos na capital, Praga), alimentação, os combustíveis, mas não as estradas e as infraestruturas. Em ambos os países os transportes públicos são mais baratos e muito eficientes com carreiras para todo o lado. Em Varsóvia ou Cracóvia basta pedir o mapa do transporte no P. de Turismo e pronto…

Em ambas os preços dos campings são bem europeus! A média rondas os 22 euros, 1 veículo e 2 pessoas.

As notas das coordenadas GPS vão nos dois sistemas – birra do GPS!!!

Etapa 0: Aveiro-Vilar Formoso, 196 KM

Armazéns Zazá: N 40.62436; O 6.83876

IMG_0880Chamo-lhe etapa 0 por que costumamos fazer este percurso na véspera do primeiro dia propriamente dito. Dormimos em Vilar Formoso na AS dos Armazéns Zazá, 5 €, mas tranquilidade absoluta, despejos e água se necessário, padaria desde as 6h da manhã mesmo ao lado e partida pela fresca, pela Espanha fora, rumo a Bordéus

Etapa 1, 30/07: Vilar Formoso- Bordéus (camping Beau Soleil, Gradignan) 793km

Camping Beau Soleil:  N 44.7556; O 0.62772

Alvorada às seis, padaria, pequeno-almoço de pão quente e saída às sete. No café Turismo já muitos emigrantes matabichavam e repousavam em solo português. Nunca tinha visto nada assim: filas contínuas a espaços, nas duas faixas, de V. Formoso a Irún, com grandes engarrafamentos nas portagens de Burgos, áreas de descanso, parques e estações de serviço com carros estacionados na autoestrada. Incrível, dir-se-ia que fugiam de qualquer coisa. Felizmente fugiam para o descanso de umas merecidas férias! Idem na A63, tráfego intenso e 2 acidentes a provocarem imensos “bouchons”. Viagem sem “estória”, com paragem no SUCO para almoço e uma “paella” generosa. Primeiro reabastecimento em Espanha, depois de Vitória, com gasóleo a 1.024€.

Fronteira francesa com filas de quilómetros no sentido descendente. Controlo visual demorado com polícia e exército bem armados.

Chegada ao camping sob trovoada intensa. A primeira chuvada da viagem! O sinal de “COMPLET” não me desencorajou e da conversa com o proprietário saiu um lugarzito à medida, embora inclinado. A mesma sorte já não teve quem chegou depois, pois o camping é pequeno. Porém, é o ideal para visitar Bordéus sem sobressaltos, pois lá (em Bordéus), o parqueamento é difícil. Tem autocarro a 100m que nos deixa na zona central da cidade. Depois é só fazer o caminho inverso. Um pequeno passeio pela zona para esticar as pernas e reparar que quem não teve lugar no camping ficou por perto, espalhados nos vários parques de estacionamentos da localidade. Uma nota para o futuro.

Azrou e Ifrane, a Suiça marroquina

Maio 25, 2014

Azrou e Ifrane, a Suiça marroquina, O km

 

Direi agora que estamos alojados no camping “Eurocamping” um complexo amplo que tem duas plataformas extensas para autocaravanas. As instalações são limpas e funcionais, o pessoal simpático e prestável. Tranquilo e muitos seguro (guarda 24h).

Disse-se que era propriedade de um magnata com negócios no Dubai. Na verdade, há ali um grande investimento.Imagem

Combinado desde a véspera, o encarregado do parque ofereceu-se para nos levar, em duas viagens, à mata dos cedros. Não sabíamos nós que a viatura era pequena pelo que, enlatados, fomos conduzidos com a habitual simpatia à dita mata.

No ponto de partida das “excursões” à mata há alguma confusão: cavalos ajaezados à marroquina, muito coloridos, são “oferecidos” aos visitantes para uma viagem descansada. Naquele dia, eram mais os cavalos que os pretendentes pelo que os “jokeys” divertiam-se a fazer alguns piques com as montadas.Imagem

Contratado um guia por 100 dirhams (tinha pedido 500!!) partimos à descoberta da mata dos cedros, ao lago (que não tinha água) e aos macacos. Valeu a caminhada cerca de 2 horas, entre árvores, um ar fresco e puro e uma primavera a despontar. Claro que pesaram os pés, as barrigas e os traseiros, mas conseguimos chegar ao cimo da colina para ver as vistas, à custa de muitos incentivos às senhoras e cavalheiros. A idade não perdoa e a falta de treino também!!

Os macacos fizeram as habituais macaquices: correram à nossa volta, pedincharam comida, beberam água pela garrafa tal qual um humano e portaram-se bem. Ao nosso transportador ( o encarregado do parque, pagámos apenas a gasolina!! Generosa gente!!

Regressámos e fomos almoçar à cidade, num restaurante ao lado do mercado de frescos bastante concorrido e fumarento e onde se via claramente que quem mandava eram as mulheres. Comida abundante e a preço muito razoável. ImagemEnquanto esperávamos pelos táxis que nos levariam a Ifrane, fizeram-se algumas compras no mercado: frutas e legumes. Alguns preços: ervilha a 40cêntimos, laranja idem, meloa a 70 e oferta de um ramo de coentros.

Novamente enlatados nos táxis visitámos um centro de ski e Ifrane, uma cidade limpa, muito ajardinada, com cafés e restaurantes sofisticados e visitantes nórdicos: havia alemães, dinamarqueses e noruegueses, tudo na terceira idade endinheirada.

Por ali andámos até nos apetecer…e regressámos enlatados, em boa camaradagem e disposição. Começávamos a habituar-nos a estes apertos!Imagem

À noite houve concurso culinário de ervilhas estufadas. Ganhámos todos porque as ervilhas estavam muito boas…e os vinhos também.

Antes de terminar, uma pequena história. Tinha-me esquecido da máquina fotográfica no táxi! Contei o sucedido ao encarregado do parque e este, com um telefonema localizou o taxista. Levou-me no seu carro à “praça de táxis” e foi-me entregue a máquina. Como o taxista não tinha o número de telefone do encarregado, esperou ser contactado, guardando a máquina. Boa gente!