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Terras de Pão, Gentes de Paz.

Dezembro 11, 2011

Maxi-weekend! Saída a meia manhã, paragem “técnica” em Santarém e almoço em Évora num restaurante junto ao renovado mercado. A minha companheira foi pelo borrego assado, eu pelas “burras” de cebolada. O senão foram as batatas fritas de acompanhamento porque já não havia batata assada. Com os restantes adereços mais uma sericaia com ameixa de Elvas e ficou-se tudo por menos de 20€. Comidinha honesta com o senão das “french fries”, deslocadas naquele menu. Como eram já desoras, a vizinhança de mesa era o pessoal da cozinha que ora por ora nos deitava um olhar de acompanhamento e eu, porque comi talvez com a avidez do estômago vazio, fui brindado com um reforço alimentar neste propósito” Ó … atão na vês qu’este senhor tá comêndo com tanto apetite. Traz cá mais um tantinho”. Recusei agradecido, não me caísse outra “burra” no prato!!
Destino: Pedrógão, entre Vidigueira e Moura, para a pré-inauguração do Alqueva Camping-Car Park, espaço destinado a autocaravanas.
Antes de nos acercarmos do Park, demos uma vista de olhos pela aldeia de Pedrógão e surpreendemo-nos com o branco das paredes orladas a ocre amarelo ou azul, a limpeza das ruas, o ar sadio e calmo. A primeira impressão foi, pois, positiva.
Chegados ao Park, fomos recebidos “camaradamente”, foi-nos apresentado o espaço e explicadas as valências de que dispunha, bem como as perspectivas de futuro.
Penso que o local tem a seu favor alguns elementos importantes: a inclusão num um eixo viário turístico importante (Évora-Vidigueira-Moura-Pias-Serpa-Beja), numa rota vinícola e num património histórico e ambiental únicos; a proximidade de actividades recreativas ligadas à água (pesca desportiva em água doce -achigã, barbo, boga e carpa- canoagem) e muitas outras (pedestrianismo, ciclismo …).
Bem…depois foi a hora (ou o começo das horas?) de convívio…Ai Jesus!! Ainda éramos poucos mas já saltavam as brasas na zona de barbecue e saíram as iguarias regionais portuguesas, regadas a preceito. E a “coisa” repetiu-se na sexta, já com o reforço das compras em Pedrógão (há que animar a economia local, não é?), ainda no sábado em animadíssima grelhada colectiva.
Nos entretantos ainda visitámos Moura (belíssima), Pias (mais modesta mas com um charme especal) e Serpa que nos encheu de encanto e onde voltaremos em breve, quando os dias forem maiores. Não descrevo o que visitámos porque qualquer roteiro é mais eloquente que eu. Destaco na Vidigueira (Vila de Frades) duas coisas: As ruínas romano-cristãs de S. Cucufate e por coincidência temporal a Vitifrades, uma feira regional de produtos da terra. Que chatice…vieram mais uns queijos, uns enchidos, umas garrafitas…
Saímos sábado à noite. Chegámos pela meia-noite. Ficou um inigualável convívio, uma região que vale por si, uma estrutura autocaravanista digna e à espera de quem a mereça.
O Alqueva Camping Car Park é uma estrutura particular, a pagar pelos utentes. Numa altura em que crescem as estruturas municipais ou locais, em parte por iniciativa e sugestão de associações de autocaravanistas, umas gratuitas outras com pagamento ajustado ao utilizador (paga apenas o serviço e gastos inerentes), surgem aqui e ali iniciativas particulares como forma de investimento. Estamos também numa outra altura em que no seio autocaravanista se levantam vozes que defendem a livre utilização dos espaços públicos de estacionamento, com responsabilidade e civismo, respeitando normas instituídas, reclamando direitos automobilísticos iguais a qualquer outra viatura. Tornar-se-ia pois, algo contra-corrent criar uma estrutura particular de parqueamento de ACs em tempo de crises. Mas é assim que se fastam as crises, avançando, criando, construindo. Pareceu-me também que também se procurou criar um lugar de fruição autocaravanista e um ponto de encontro numa região singular. Um gesto de um autocaravanista para outros autocaravanistas. Oxalá perdure com sucesso.

O universo autocaravanista é vasto: coabitam as mais variadas tendências relativas a prática da “modalidade” e à forma de a encarar e, dentre elas o posicionamento individual face ao estacionamento, desde o exercício livre, uma posição intermédia e a utilização de estruras comerciais, vulgo parque de campismo ou similares. O universo da oferta de serviços para autocaravanismo, e não me refiro a venda e manutençao, mas sim a parqueamento de curta e média duração não é tão vasto mas é considerável. Deixando de parte a questão dos números, isto é, quantos são os que praticam o regime livre, ou o intermédio ou os utilizadores dos parques e similares, importa ponderar brevemente e sem grande rigor a questão do estacionamento/parqueamento.
Sabemos que a associação dos proprietários/concessionários dos Parques de Campismo (PC) gostariam de ver as AC dentro dos Parques ou que, pelo menos, recolhessem aos parque para pernoita. E do outro lado há os avessos aos PC. Conciliar os dois é difícil. Os primeiros reclamam do retorno do investimento realizado, da concorrência das Áreas de Serviço (AS) municipais, da higiene e salubridade de algumas práticas autocaravanistas, etc… Os segundos afirmam a sua liberdade de decidir se vão ou não para o PC. Complicado. Pelo meio alguma legislação municipal e nacional que pouco clarifica, antes baralha e dá de novo. Solução? Estou a lembrar-me que numa revista francesa da especialidade se noticiava que as associações de AC locais (ou nacionais?) se tinham reunido com as associações dos proprietários/concessionários de PC para chegarem a um entendimento. Imagino que a argumentação tenha sido mais ou menos dentro do figurino descrito acima. Mas também me lembro que foram algumas as soluções apresentadas: redução de preços tendo por base a área de ocupação (há tendas que ocupam mais espaço que uma AC …e nos ferries também é assim), criação de áreas específicas para AC com ou sem acesso a instalações sanitárias e outras facilidades do PC, criação de zonas de passagem breve (pernoita/etapa) a preço reduzido, permissão de manutenção sem necessidade de pernoita e, enfim, outras ideias surgirão sempre numa reunião deste teor. A questão é saber se há vontade e quem são os participantes. Se acontecer, que seja sem jogadas, sem negociação de bastidores, sem conluios. E que os interlocutores sejam válidos e representativos, sobretudo do lados dos AC. Mas, aí, é outra a questão.
Nesta, em particular, seria naturalmente benéfico uma discussão e uma legislação objectivas.
Por mim, mantenho-me fiel ao princípio da necessidade/oportunidade, isto é, se preciso uso um PC, se não preciso, não uso. Forçado, não.
Longa vida ao Camping-car Park. Até à próxima visita.

6 Comentários leave one →
  1. Dezembro 12, 2011 08:38

    Grato pela objectividade e abrangência dos comentarios! assim haja em igual numero leitores informados e interessados para se avançar numa consciencia autocaravanista plural, criativa e consequente!
    Decarvalho
    PS…e fotos?

    • viajantelusitano hiperligação permanente*
      Dezembro 12, 2011 17:55

      Comp. deCarvalho: repito os parabéns pela iniciativa. Do resto mtento manter-me equidistante das coisas. Emoção, só quanto baste.
      Abraço

  2. Dezembro 12, 2011 08:39

    Depois de o ler com prazer já há algum tempo tive agora o privilégio de o conhecer pessoalmente. Reconheço-me normalmente no teor dos seus escritos e desta vez não é excepção. Para mim parques de campismo sim mas de forma coerciva não!
    Quanto ao bom momento de que desfrutámos no Parque de Autocaravanas do Alqueva demonstra que não são precisos muitos se forem bons; foi um excelente convívio com o único senão de a meteorologia não ter ajudado, mas o calor da amizade dos participantes resolveu o problema.
    Também desejo uma longa e próspera vida ao Camping-car Park. Espero principalmente que as atitudes dos que pouco ou nada fazem pelo autocaravanismo não, percam o deles e o nosso tempo a denegrir o que foi feito. O homem sonha e a obra nasce: foi o mote do Luís: temo que esta realização tenha as maiores dificuldades em rentabilizar os capitais investidos. Mas o prazer que lhe deu a ele a sua realização e a nós, os seus amigos, o seu desfrute já é retribuição suficiente.

    • viajantelusitano hiperligação permanente*
      Dezembro 12, 2011 18:06

      Caro comp. Haddock: também foi um prazer conhecê-los. Bons momentos nestes tempos de incertezas. Quanto à cena actual do autocaravanismo/campismo faz-me lembrar a publicidade tv das Citroen Dyane nos ano 70 (lembra-se?) “Gasolina, mal precisam; oficina, nem falar!”. Faça lá o exercício de aplicar o dito ao tema do AC….
      Abraço

  3. Hélio M Costa hiperligação permanente
    Dezembro 12, 2011 11:06

    Amem! Assim sim companheiros.

  4. Hélio M Costa hiperligação permanente
    Dezembro 12, 2011 11:07

    Amen! Assim sim companheiros.

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