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Resiliências…

Outubro 24, 2011

Vivam!

Acabo de ler o livro “Os Portugueses” de Barry Hatton, editado pelo Clube do Leitor, 2ª edição, maio de 2011. Este livro foi escrito por alguém que viveu (vive) em Portugal nos últimos 20 anos e que tem uma visão exterior e neutra do que são os portugueses e Portugal. O livro foi escrito para estrangeiros e só mais tarde traduzido para português. Livro interessantíssimo que resume a história de Portugal, anotando criticamente os principais momentos dessa história, as misérias e glórias deste país de oportunidades perdidas, comentando com ironia as singularidades deste povo.
Dele poderia retirar muitos traços que nos caracterizam, mas fico-me por estes: “Por natureza, os portugueses não são dados a reunir esforços” (pág. 60) ou “No fundo da alma dos portugueses há uma vontade de contrariar” (pág. 235), ou inda na mesma página “ Um bom português nunca está de acordo.”
Também nesta questão do “ideal autocaravanista” há muito desacordo e parece-me mesmo que algum é “só para chatear”, uns e outros insistindo nas suas ideias e convicções. Nada contra da minha parte, mas pouco produtivo.
Pede-se a definição de um ideal, mas até agora só apareceu uma, logo diluída e alargada a outros referentes. Uma vez mais nada tenho contra, mas parece-me um alargamento desvalorizante, na medida em que se reconhece que os referentes são distintos. De facto, e repito-me, cada um definirá o ideal que entender, aquele onde se quiser rever, embora deva reconhecer aos outros, na definição do seu ideal, um princípio base de autonomia. Tem pontos de contacto com outros? E daí?
Há que entender uma coisa: o autocaravanismo quer independentizar-se, quer autonomizar-se uma vez que chegou a um estado maduro: sabe o que é, o que necessita, para onde quer ir. Pretender amarrá-lo a um conceito (o de campismo) do qual sente não fazer parte formal, é cercear uma liberdade que é um direito.
O autocaravanismo não é apenas mais uma modalidade de turismo itinerante, inclui uma vertente automobilística, um código ético e uma identidade plasmada numa federação.
Os “ventos” da Europa apontam para a frente, para a autonomia do autocaravanismo, primeiro em associações locais e depois em federações nacionais. Em Portugal, uma vez mais, aponta-se para trás, para a tradição –o campismo, todos iguais- que nos afasta da modernidade.
Como diz Barry Hatton, é “a relutância em mudar, a suspeita sobre a ambição, o impulso e a visão” que algemam o país. Neste caso, o autocaravanismo.

Boa semana.

2 Comentários leave one →
  1. Outubro 25, 2011 14:57

    Um excelente texto, que merece no essencial a minha concordância, nomeadamente quanto ao autocaravanismo. Haverá sempre vozes contra, mas a meu ver é preciso aproveitar os debates para seguir em frente, sem esquecer o passado, mas com vontade de descobrir novos caminhos.
    Uma federação de autocaravanismo é um factor agregador, ainda que muitos como eu se remetam ao papel de meros viajantes e a espera que os frutos fiquem maduros, mas em tudo na vida existem sempre intervenientes mais voluntariosos e dedicados, sem o que nada pode avançar.
    Saudações autocaravanistas

  2. viajantelusitano hiperligação permanente*
    Outubro 25, 2011 21:06

    Provavelmente quem me lê até pensa que eu sou contra o campismo e os parques. Nada disso. Sinto-me bem nos parques de campismo. Considero-os uma ótima âncora de relaxe. O que eu não aprecio é este quererem empurrar-me para os parques e reduzir assim a minhas opções. Uma rebeldia minha, portanto. Concordo com o que diz: são de facto os insatisfeitos e irrequietos que fazem mover o mundo, mas, e se fôssemos todos irrequietos?
    Boas viagens e aproveite…

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