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Do Cebreiro milagroso à maresia de Ribadeo

Setembro 27, 2011

Jornada 7 – 12 de Agosto

Alvorada e saída do camping.
Café no bar e mudança de águas em local indicado pelo sr. Eliseu. Como não tem estação de serviço no camping, improvisámos. Porém, desta falha, depois de uma conversa onde lhe expliquei o como e o porquê de uma AS, resultou a promessa do sr. Eliseu em construir uma até ao próximo Verão…
Saímos de novo para Villafranca del Bierzo. Estacionámos no mesmo local, a Alameda, e iniciámos a visita à Calle del Água, uma rua comprida, adornada de casas brasonadas, varandas magníficas e pequenos recantos tranquilos. Curta visita ao mosteiro das carmelitas descalças, freiras em clausura, com uma igreja barroca simpática e bem tratada. Regresso ao centro, para a imponência da igreja/colégio jesuíta de S. Nicolau la Real, monumento granítico de grandes proporções, traça imponente, renascentista e barroco. No canto esquerdo guarda um pequeno museu de história natural, a 1€ a entrada. No mercadinho agrícola local comprámos a legumes e figos.
O destino próximo era o monte do Cebreiro, seguindo a rota compostelana. Da planície do Bierzo, a estrada nacional vai seguindo o rio e a Autopista do Noroeste, começando a subir até às alturas de Pedrafita do Cebreiro. Dali sobe-se um pouco mais até O Cebreiro (1300m), lugar onde começa a parte galega do caminho de Santiago. O lugar organizou-se à volta do templo de Santa Maria La Real, igreja pré-românica do séc.IX. O templo consta de três naves separadas por pliares e rematada por uma tripla cabeceira. No interior destaca-se a capela de S.Bento ( a igreja é beneditina) e a capela do milagre (onde o pão se fez carne e o vinho se fez sangue, em razão das dúvidas acto eucarístico do padre que oficiava a missa e perante o testemunho da Virgem. Aqui está o Cálice do Santo Graal (todos o sabiam, menos os Cavaleiros da Távola Redonda e o Indiana Jones) e uma imagem da Virgem do séc.XII. Conserva também uma enorme pia baptismal para imersão dos candidatos ao baptismo.Graal Ao lado está a hospedaria de S. Geraldo de Aurillac, construída sobre o primitivo hospital de peregrinos. O lugar é peregrino-turístico, com restaurantes, lojas de lembranças, restaurantes e alojamentos. Curiosas são as “cortes”, construções circulares cobertas de giesta bem aparada, que serviam de habitação e curral de ovelhas. Aliás, ali pode comprar-se um queijo de pasta fresca e mole bem como um pão óptimo, típicos da região. Entrados na igreja, feitas as orações, a minha companheira resolve deixar umas moedas em cima de um balcão (e na ausência do funcionário) para pagamento de uns postais e folhetos que retirara. Saímos. Rua abaixo, detivemo-nos na leitura do menu de um dos restaurantes e apercebemos do alvoroço de uma senhora que perguntava por alguém que tinha deixado um porta-moedas na igreja. Era da minha companheira….com as moedas, deixou tudo!! Milagre! (Ainda há gente honesta…)
E fomos almoçar…grelhado misto com batatas fritas e vinho da região.
Baixámos a Samos e parámos para ver e não visitar o grandioso mosteiro, ocupado esse dia por dezenas de jovens em retiro espiritual. A lado, à beira rio, junto da capela pré-românica, em sítio fresco e sombrio, uma AC austríaca repousava discretamente… Esta capela, muito simples e pequena, de uma só nave, é comovente.
O mosteiro dispõe de estruturas românicas, góticas, renascentistas e barrocas, amostras da sua construção em diversas épocas, desde sua fundação no século VI. Localização: 42° 43′ 54.3252″ N, 7° 19′ 34.1904″ W.
O dia estava quente e a temperatura no vale de Samos acima dos 30º. Ao longo do rio algumas praias fluviais convidavam ao banho. Hesitámos algumas vezes mas decidimos continuar. Passámos Sarriá e, por opção, decidimo-nos contornar Lugo e seguir por Vilalba, aproveitando as autopistas. Seguiu-se Mondoñedo e finalmente Ribadeo. Ali, o nosso destino era o porto de pesca, local referenciado como ponto de pernoita tolerado. A cidade já a conhecíamos de outras andanças, pelo que, cansados da viagem resolvemos encostar, comer e sair um pouco para desentorpecer as pernas ao longo do passeio marítimo. Ainda assim, fizéramos 270km…
No local de estacionamento, 4 ACs já estavam a posto de pernoita. Chegariam mais umas quantas durante a noite, pelo que, de manhã, seriam uma dúzia. O local é tranquilo e, porque era fim de semana e não havia movimento no porto, mais tranquila foi. O nosso passeio pós-jantar estendeu-semais uma vez pelo passeio marítimo até ao pontão debaixo da ponte que separa a Galiza das Astúrias. Regressados à AV, foi hora de televisão até chegarem os nossos amigos de Lagos, com quem iríamos passar uns dias. Eles chegados e depois de alguma conversa e uma cerveja fresquinha, hora de dormir. Excepto algumas chegadas e partidas nocturnas, tudo bem.

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