O Bierzo – El Brejeo
Setembro 14, 2011
Não é fácil visitar todas as colegiadas e igrejas de Villafranca del Bierzo. Primeiro pela “siesta” dos espanhóis, que nos é um pouco estranha e inconveniente, depois porque merecem visita demorada a atenta, o que toma o seu tempo…
Voltando um pouco atrás, à chegada, estacionámos na praça ajardinada, em espinha, bem dentro do nosso espaço. No posto de turismo em frente ecolhemos alguma documentação e informação sobre o camping onde ficar essa noite. E fomos então de visita à “pequena Compostela” como é por ali chamada. Comecemos pela Colegiada de Santa Maria, dos meados do séc. XVI, pelo que incorpora traços do gótico final e do renascimento. Foi manada construir por D. Pedro de Toledo, vice-rei de Nápoles, no tempo em que o império espanhol se estendia à Itália e à Sicília. No interior destaca-se o jogo geométrico da abóbada, com a sua cúpula central construída em pedra miúda, xistosa, à vista, sem reboco. Muito bela e original.
Infelizmente, o castelo de Villafranca, dos meados do séc. XV, com a sua figura apalaçada, não é visitável por ser residência particular de um compositor famoso. Deixámos o resto para outro dia e fruímos apenas a cidade. Deslocámo-nos então a Vilela, povoação ali ao lado onde pernoitámos 3 noites. O camping é El Brejeo é gerido pelo sr. Eliseu e pela D. Florinda, ela transmontana e ele galego, gente simpática e simples. O camping não tem infra-estruturas para ACs, mas o alvéolos são generosos, bem iluminados e relvados. Maioritariamente, é frequentado por peregrinos a caminho de Santiago (ciclistas e mochileiros), caravanas e algumas ACs e AVs, como nós. O espaço geral é muito verde, não totalmente ocupado e, como nota singular e inesperada, tem aquilo a que os brasileiros chamam “pesque-pague”. O camping tem dois lagos: o mais pequeno é um charco de caniço e tabua larga e o maior, com a área de um campo de futebol, uma zona recreativa de pesca à truta. O sr. Eliseu fornece o “material” (cana-da-índia, bóia de cortiça e anzol) e o isco (milho cozido), o “pescador” a sua arte. No fim, pesam-se as trutas (7€ o kilo) e, por norma, a srª Florinda frita-as, se essa for a vontade do “pescador”. Há limite de capturas, não são permitidos abusos. É um meio de obter peixe fresco…para quem gosta de trutas.
Conhecemos ainda o “capitão” Théo, nosso vizinho de alvéolo, também ele a caminho da Galiza, Porto Son, onde tinha alguns amigos dos tempos de embarcado. Théo é holandês, velho marinheiro mercante desde os 15 anos, conhecedor do mundo, poliglota e imprecativo (fala português quase perfeito, aprendido com uns “filhos da p*** de Gaia”, segundo ele), divertido e falador. Ofereci-lhe uma garrafa de bom vinho português (herdade da Espirra) mas quem o apreciou foi a mulher, que repetiu várias vezes “very good, excellent”. Théo, já reformado, goza a vida na companhia da mulher, do canito e da sua AC, pela Europa fora, visitando amigos e países dos quais só conhece as cidades portuárias.
Dormimos enfim, sob o céu magnificamente estrelado da Estrada de Santiago (a Via Láctea), a Lua Cheia e o coaxar das rãs. Que mais se pode querer?
Voltando um pouco atrás, à chegada, estacionámos na praça ajardinada, em espinha, bem dentro do nosso espaço. No posto de turismo em frente ecolhemos alguma documentação e informação sobre o camping onde ficar essa noite. E fomos então de visita à “pequena Compostela” como é por ali chamada. Comecemos pela Colegiada de Santa Maria, dos meados do séc. XVI, pelo que incorpora traços do gótico final e do renascimento. Foi manada construir por D. Pedro de Toledo, vice-rei de Nápoles, no tempo em que o império espanhol se estendia à Itália e à Sicília. No interior destaca-se o jogo geométrico da abóbada, com a sua cúpula central construída em pedra miúda, xistosa, à vista, sem reboco. Muito bela e original.
Infelizmente, o castelo de Villafranca, dos meados do séc. XV, com a sua figura apalaçada, não é visitável por ser residência particular de um compositor famoso. Deixámos o resto para outro dia e fruímos apenas a cidade. Deslocámo-nos então a Vilela, povoação ali ao lado onde pernoitámos 3 noites. O camping é El Brejeo é gerido pelo sr. Eliseu e pela D. Florinda, ela transmontana e ele galego, gente simpática e simples. O camping não tem infra-estruturas para ACs, mas o alvéolos são generosos, bem iluminados e relvados. Maioritariamente, é frequentado por peregrinos a caminho de Santiago (ciclistas e mochileiros), caravanas e algumas ACs e AVs, como nós. O espaço geral é muito verde, não totalmente ocupado e, como nota singular e inesperada, tem aquilo a que os brasileiros chamam “pesque-pague”. O camping tem dois lagos: o mais pequeno é um charco de caniço e tabua larga e o maior, com a área de um campo de futebol, uma zona recreativa de pesca à truta. O sr. Eliseu fornece o “material” (cana-da-índia, bóia de cortiça e anzol) e o isco (milho cozido), o “pescador” a sua arte. No fim, pesam-se as trutas (7€ o kilo) e, por norma, a srª Florinda frita-as, se essa for a vontade do “pescador”. Há limite de capturas, não são permitidos abusos. É um meio de obter peixe fresco…para quem gosta de trutas.
Conhecemos ainda o “capitão” Théo, nosso vizinho de alvéolo, também ele a caminho da Galiza, Porto Son, onde tinha alguns amigos dos tempos de embarcado. Théo é holandês, velho marinheiro mercante desde os 15 anos, conhecedor do mundo, poliglota e imprecativo (fala português quase perfeito, aprendido com uns “filhos da p*** de Gaia”, segundo ele), divertido e falador. Ofereci-lhe uma garrafa de bom vinho português (herdade da Espirra) mas quem o apreciou foi a mulher, que repetiu várias vezes “very good, excellent”. Théo, já reformado, goza a vida na companhia da mulher, do canito e da sua AC, pela Europa fora, visitando amigos e países dos quais só conhece as cidades portuárias.
Dormimos enfim, sob o céu magnificamente estrelado da Estrada de Santiago (a Via Láctea), a Lua Cheia e o coaxar das rãs. Que mais se pode querer?
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