Saltar para o conteúdo

De Peñalba ao Bierzo

Setembro 12, 2011

Dormimos bem em Ponferrada. Fora alguns ruídos nocturnos, carros que vão e vêm, o sempre presente carro do lixo a desoras e outros, não nos podemos queixar. Pequeno almoço a bordo e café da manhã já na cidade. Objectivos: o posto de turismo e o castelo templário. O primeiro foi fácil, era perto, bastou seguir a rua para poente e subir ligeiramente. Igual para o castelo. O castelo merece efectivamente uma visita. Com um centro interpretativo virado para as crianças e adolescentes, os textos são claros e os manequins expostos mostram-nos as vestimentas da época, a identidade dos templário, a sua história e a evolução do castelo. No interior do pátio prosseguem as escavações.
Ponto alto da visita é a recente exposição, que será permanente, de fac-símiles (cópias exactas do original, a cores) de alguns códices medievais (baixa e alta idade média), sobretudo livros de horas e outros livros de oração, profusamente iluminados. Verdadeiras maravilhas. No fim da visita, protestei educadamente não ter visto ali o Livro de Horas de D. Manuel I, um dos mais bonitos do género e de um país peninsular. A resposta foi também educada e convincente: não está exposto por não ter sido ainda devidamente tratado, por falta de espaço e por política de renovação do acervo, isto é, não os querem mostrar todos de uma vez, há que criar alguma apetência e surpresa. Acreditemos… A exposição de livro antigo é interessante e. só por si, vale a pena.
Continuámos a visita pela cidade, nos sítios costumeiros: igrejas, algumas lojas, padarias, supermercados, livrarias (muitas), tentando sentir a cidade, interagir com as pessoas.
O guia que levávamos e um grande outdoor frente ao Turismo convidavam-nos visitar o Vale do Silêncio e um mosteiro perdido na montanha, Penãlba de Santiago. O primeiro é constituído por uma sucessão de lugarejos, num vale ali próximo, em construção tradicional e alinhados ao longo de um curso de águas limpas. O acesso até ao primeiro lugarejo é simples e fácil, embora haja que ter cuidado com as varandas de madeira e as ruas estreitas, muito estreitas. A placa indicava 24Km até ao mosteiro, mas nada informava sobre o calvário que é chegar ali. Se lhe adicionarmos o regresso, são 48Km de pura adrenalina. A estrada é estreita, muito estreita, cabendo apenas um automóvel. Os pontos de cruzamento são espaçados, as curvas cegas, os cotovelos sucedem-se em subidas ou descidas de doze graus de inclinação. Na AV…silêncio…a expectativa da próxima curva era grande. Em alguns troços os castanheiros roçavam as clarabóias, a ravina à esquerda era meeeesmo profunda com um rio de águas cristalinas que, aqui e ali, tinha uns cartazes que diziam mais ou menos “ bebemos desta água; não a polua”. As esquinas da montanha, em algumas curvas ameaçavam a carroçaria da Av, pelo que a marcha era lenta, muito lenta, tornando a distância interminável. A companheira de viagem, calada como eu, não aguentou o silêncio. “Diz qualquer coisa”. O silencia era a apreensão pelo resto da viagem…
Umas últimas subidas em 1ª velocidade e, finalmente, Peñalba de Santiago e a sua igreja do séc. IX. À entrada da pequena aldeia, um parque lajeado a xisto acolhe os visitantes. Exígua para as manobras da AV, ficámos de fora, já voltados para a saída. Visitámos o lugarejo, muito limpo, arrumado, sem carros e sem uma única casa degradada. Tudo renovado, com alguns espaços comerciais, bar e restaurante, casas de recuerdos e artesanato, um pequeno alojamento. Infelizmente a igreja estava fechada nessa tarde. Normalmente a chave está no pequeno supermercado, que se dispõe a abrir a igreja quando há visitantes. Nesse dia…fechado! É preciso ter azar…valeu a paisagem espectacular, a altitude, o ar despejado e seco, a água que corria pelo meio da aldeia fresca e límpida, a igreja vista por fora, a aldeia impecavelmente limpa e renovada.
A descida é tão difícil quanto a subida e foi com alívio que entrámos novamente na estrada nacional e em Ponferrada. Decidimos então e na hora prosseguir com a exploração da região de Bierzo e dirigir-nos à sua “capital” Villafranca del Bierzo, a vila das colegiadas e das 5 igrejas. Entre elas, na mais antiga, que sustenta a “porta do perdão” cruzámo-nos com dezenas de peregrinos de Santiago que, ao fim da tarde se aproximavam do albergue mesmo ali ao lado. Nesta “Porta do Perdão”, na lateral da iigreja (ver figura) eram amnistiados os peregrinos que, por qualquer razão, não conseguiam fazer o percurso até Santiago. (continua).

No comments yet

Deixar um comentário

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Modificar )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Modificar )

Connecting to %s

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.